O ano de 2025 ficará marcado pelo avanço expressivo das recuperações judiciais, pela consolidação da geopolítica como variável crítica de decisão e pela adoção acelerada da inteligência artificial nas organizações. Em 2026, a aposta central das empresas tende a ser a reestruturação empresarial, com um diferencial relevante: ela deixa de ocupar um papel secundário e passa a constituir um objetivo estratégico permanente.
A reestruturação deixa de ser resposta emergencial a crises pontuais e passa a ser tratada como valor organizacional. Incorpora-se à cultura e orienta decisões em todos os níveis da empresa. Ajustar continuamente modelos de negócio, processos, estruturas e competências torna-se condição para sustentar competitividade em um ambiente marcado por instabilidade geopolítica, disrupção tecnológica e pressão por eficiência.
Com a escalada da inteligência artificial a partir da popularização de soluções como o ChatGPT, tornou-se viável, em nova escala, o retorno da lógica de reengenharia proposta por Michael Hammer nos anos 1990. A diferença é que, agora, o redesenho radical de processos encontra base tecnológica capaz de reduzir tempo, custo e fricção para o cliente de forma sistemática e contínua.
A IA passa a assumir atividades repetitivas e parte relevante da criação de conteúdo, análises e rotinas operacionais, liberando pessoas e lideranças para decisões de maior valor agregado. Cresce rapidamente o número de organizações que aplicam inteligência artificial de forma transversal, integrando a tecnologia a todas as áreas do negócio, do planejamento à operação.
Nas consultorias estratégicas, esse avanço impõe uma mudança estrutural de posicionamento. Serviços antes prescritivos tendem a ser internalizados pelos próprios clientes, apoiados por plataformas de IA e analytics. Isso desloca o papel das consultorias para frentes de maior valor: inovação estratégica, colaboração na construção de novos modelos de negócio e leitura intersetorial dos mercados, apoiadas por vivência internacional e capacidade sistêmica de interpretação do ambiente global.
Em 2026, reestruturar não será exceção, mas regra. A competitividade pertencerá às organizações que transformarem a reestruturação contínua em competência central, combinando tecnologia, visão estratégica e capacidade permanente de adaptação.
