Não é de hoje que o Brasil enfrenta dificuldades estruturais no combate à criminalidade. A fragilidade do Estado em impor autoridade e a complacência institucional permitiram que o crime organizado, em especial os grupos de narcoterroristas, consolidasse um poder paralelo de proporções alarmantes. Hoje, eles não apenas controlam territórios nas favelas e periferias, como também exercem influência sobre setores políticos, econômicos e até sociais, manipulando discursos e explorando brechas legais para garantir impunidade e domínio.
O caso do Rio de Janeiro simboliza com clareza essa degradação. Corroído por décadas de corrupção e omissão, o estado fluminense tornou-se um laboratório do colapso da segurança pública nacional. A população, sobretudo a mais pobre, vive sob o medo constante, enquanto o crime assume a condição de autoridade local. Nesse contexto, a recente decisão do governador do estado de retomar territórios dominados por facções e desarticular suas lideranças representou não apenas uma ação de segurança, mas um ato de soberania.
A operação, que retirou de circulação cerca de 130 narcoterroristas e apreendeu 120 armas, em sua maioria fuzis, contou com apoio expressivo da sociedade. Segundo levantamento da AtlasIntel, 87% dos moradores das favelas e 62% da população da cidade do Rio de Janeiro aprovam a ação e defendem a continuidade de medidas semelhantes. Esse apoio maciço reflete o sentimento coletivo de uma população sufocada, que vê na firmeza estatal a única esperança de resgatar a liberdade e o direito de viver em paz.
Contudo, o país vive uma profunda contradição. Enquanto o povo clama por rigor, grande parte das instituições, em especial o Judiciário e setores do Executivo, mantêm uma visão complacente e ideologizada da criminalidade, enxergando o criminoso como vítima social e o Estado como culpado. Esse distanciamento entre o discurso institucional e o desejo popular gera descrédito, desconfiança e enfraquece o pacto social.
A decisão do governador fluminense colocou o Brasil diante de uma encruzilhada histórica: ou o poder público ajusta sua compreensão sobre segurança, reconhecendo que proteger o cidadão de bem é dever indeclinável do Estado, ou continuará a assistir à expansão do poder do narcotráfico que já disputa e, em muitos casos, domina a administração de territórios e consciências.
A sociedade brasileira deixou muito claro o caminho que deseja seguir. Falta agora que seus representantes compreendam que o verdadeiro ato de humanidade é garantir segurança, liberdade e dignidade a quem trabalha, estuda e sustenta o país, e não a quem o destrói.
