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A Falsa Redemocratização: O Preço do Espelho Quebrado.
Da janela da minha casa em Presidente Prudente, observo a cidade que cresceu e se transformou, assim como o país. As ruas asfaltadas, os prédios novos, o burburinho de uma metrópole interiorana. Mas sob essa superfície de progresso aparente, reside uma história complexa e, para muitos, amarga: a da nossa “redemocratização”.
O Contraste entre o Milagre e a “Democracia”.
Lembro-me dos ecos do Milagre Brasileiro, uma época em que a economia disparava em ritmo chinês, com taxas de crescimento que hoje parecem ficção científica – 10% ao ano, uma façanha que nunca mais repetimos. Havia um otimismo no ar, uma sensação de que o Brasil se tornava grande, apesar dos pesares de um regime autoritário. Éramos, para o mundo, um país emergente, pujante, com um futuro promissor.
Então veio a chamada redemocratização. Uma transição que, para muitos de nós, foi mais uma narrativa cuidadosamente construída do que uma verdadeira libertação. A velha guarda, que havia se acomodado nas benesses do Estado, rapidamente trocou de roupagem.
De repente, a esquerda emergiu como a salvadora da pátria, a única detentora da virtude democrática. Ser de direita, ou simplesmente defender princípios liberais, tornou-se sinônimo de fascismo, de atraso, de apego a um passado que precisava ser sepultado. Uma simplificação perigosa, que apagava nuances e demonizava o contraditório.
A Ascensão da Nova Ordem e a Corrupção Sistêmica.
Essa esquerda “falsa”, como muitos a chamam, não demorou a ocupar os espaços de poder. Seduziu a classe dominante, aquela mesma que antes se beneficiava do regime anterior. O Judiciário, o Legislativo, as universidades – todos foram permeados por uma ideologia que, sob o manto da justiça social, consolidava um controle férreo sobre as instituições. E com esse controle, vieram as benesses: cargos, privilégios, verbas generosas, que transformaram o aparelho estatal em um feudo particular.
A corrupção, antes um mal crônico, tornou-se sistêmica, entranhada em cada engrenagem do Estado. Não era mais um desvio pontual, mas uma prática arraigada, quase naturalizada, que drenava os recursos do país e minava a fé nas instituições. E no meio desse pântano, floresceu o assistencialismo. A miséria, ao invés de ser erradicada por meio do desenvolvimento econômico e da geração de oportunidades, foi transformada em ativo político. Programas sociais, muitas vezes essenciais em sua concepção, tornaram-se ferramentas de controle eleitoral, perpetuando a dependência e desestimulando a autonomia.
Plantou-se na mente e nos corações das pessoas a ideia de que o Estado é o pai de todos, o provedor universal, a única fonte de segurança e prosperidade. Uma concepção que sufoca a iniciativa individual, que desestimula a meritocracia e que sobrecarrega a máquina pública a um ponto insustentável.
A Doma da Economia e o Legado da Redemocratização.
Mas a economia, ah, essa a esquerda se esqueceu que não se doma como um cavalo amestrado. Ela tem suas próprias leis, suas próprias dinâmicas. Pode-se tentar controlá-la com decretos e regulamentações excessivas, com altos impostos e com o inchaço da máquina pública, mas o resultado é sempre o mesmo: estagnação, inflação e a fuga de investimentos. O Milagre Brasileiro ficou para trás, um distante ponto de luz em um horizonte que se mostra, ano após ano, cinzento e incerto.
Olho para Presidente Prudente, para as pessoas que circulam apressadas, e me pergunto: qual o legado dessa falsa redemocratização? Deixou-nos uma democracia de fachada, onde a liberdade de expressão é frequentemente cerceada pela patrulha ideológica, onde a meritocracia é vista com desconfiança e onde a prosperidade econômica é sacrificada no altar de um idealismo utópico e, muitas vezes, hipócrita.
Talvez seja tempo de questionar as narrativas pré-fabricadas, de reconhecer que a complexidade do Brasil não se encaixa em caixas ideológicas. É tempo de buscar uma verdadeira redemocratização, uma que valorize a liberdade individual, a responsabilidade, a iniciativa e que entenda que a economia, para crescer de verdade, precisa ser livre para respirar. Caso contrário, continuaremos a viver à sombra de um passado glorioso, lamentando o que poderíamos ter sido e o que nos tornamos.
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