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A QUINTA DOS INFERNOS

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A Quinta dos Infernos.​

O Brasil começou sua história oficial com um apelido cruel: “Quinta dos Infernos”. Essa alcunha, que ecoava nos salões da metrópole, definia a colônia não como um paraíso, mas como um rincão distante, violento e, pior, a quinta mais importante, aquela que vinha depois das prioridades. Era a terra do degredo, da extração frenética e da elite predatória que aqui se instalou.​

Essa gênese é a chave para entender por que, séculos depois, o Brasil ainda se sente um projeto em eterna construção, um presente desconectado de seu passado e um futuro que insiste em não chegar. A primeira fundação do Brasil foi a do saque. O ciclo do pau-brasil, do ouro, da cana-de-açúcar – toda a riqueza foi construída sobre a extração brutal, a escravidão e a completa ausência de um projeto nacional que fosse além do lucro imediato para a coroa e seus intermediários. O vício da corrupção não é uma doença moderna; ele é a própria argamassa da nação. A malandragem e o “jeitinho” nasceram como estratégias de sobrevivência contra um sistema que só funcionava para quem estava no topo, e viraram, com o tempo, a própria estrutura de poder.​

O Presente Desconectado (O Labirinto): A Independência e a República vieram, mas a matriz do poder não mudou. Trocamos a coroa pelo “coronelismo”, e depois, pelas oligarquias e tecnocracias. A grande tragédia do presente é a falta de identidade e de um projeto comum. O abismo social, a glorificação da esperteza em detrimento da ética, e a inversão de valores (onde o honesto é “trouxa”), são apenas ecos da Quinta dos Infernos.

O “Brasil parou de evoluir” porque a energia nacional se consome na luta cíclica contra os mesmos vícios coloniais: o clientelismo, o patrimonialismo e a corrupção institucionalizada. Estamos presos num labirinto onde a cada esquina encontramos a mesma sombra do passado.​

O Futuro Inalcançável (A Miragem): A miragem do “país do futuro”, popularizada por Stefan Zweig, é a grande ironia brasileira. O futuro é sempre adiado porque o país se recusa a confrontar seu passado de forma genuína. A conexão entre a riqueza histórica e a miséria atual é cortada. Enquanto a energia nacional for canalizada para combater a corrupção e desmantelar estruturas viciadas, em vez de construir um projeto educacional e sustentável de longo prazo, o futuro será apenas uma promessa bonita, mas vazia, escrita nas areias de um país que ainda não se entende como nação.​

O Brasil continua sendo, simbolicamente, a “Quinta dos Infernos”: uma terra de enorme potencial, mas eternamente consumida pelos vícios de sua fundação, onde o passado, o presente e o futuro seguem em trincheiras separadas, aguardando um herói que não virá, pois o herói necessário é a conexão cívica e moral de todo o seu povo.

 

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