A REAÇÃO TARIFÁRIA DOS EUA
Hoje, 09 de julho de 2025, a Brasil não deveria ter se surpreendido ao receber a informação da imposição pelos EUA, a partir de 1º de agosto próximo, de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros.
Essa era uma ação mais do que esperada, tendo sido insistentemente anunciada como resposta ao posicionamento do Brasil em relação aos EUA, especialmente nas articulações no âmbito do grupo BRICS, representado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, agregando, recentemente Egito, Etiópia, Irã, Indonésia e Emirados Árabes Unidos.
Por insistência do governo brasileiro, os membros do BRICS estudam a criação de uma moeda comum e de um sistema de transações internacionais que não necessite do dólar americano. Tentativa que, pela baixa possibilidade de se concretizar considerando o desinteresse dos principais parceiros comerciais em acumular moedas não conversíveis, se caracteriza como ameaça exclusivamente política aos EUA.
Essa insistente ação gerou, como era de se esperar, a reação do governo norte americano, atitude também eminentemente política com forte repercussão comercial, transferindo então, para o governo brasileiro, a decisão sobre o próximo passo.
É preciso considerar, entretanto, que a imposição de barreiras tarifárias e não tarifárias não é novidade e o Brasil a utiliza historicamente sobre produtos americanos, o que lhes fornece fortes argumentos como correção de distorções e estímulo à reindustrialização.
Portanto, restam ao Brasil duas alternativas na mesa: reciprocidade ou negociação diplomática.
Optando pela reciprocidade, o país confrontará a maior economia do planeta, principal parceiro comercial de produtos manufaturados brasileiros, com consequente perda de competitividade dos nossos produtos, desindustrialização, desemprego, valorização do dólar (derretimento do Real) e queda da Bolsa de Valores. O cidadão brasileiro certamente pagará caro pelos estragos na economia nacional.
Por outro lado, a negociação diplomática permitirá reorganização nas relações comerciais bilaterais, com possibilidade de substancial redução nas projetadas perdas comerciais.
A decisão está com o governo brasileiro.
