A história recente de Barra do Piraí revela um padrão que, embora politicamente incômodo, é comprovado pelos resultados: ao longo de décadas, administrações sucessivas, legítimas em sua origem, mas limitadas em sua ambição, permitiram que o município fosse deslocado para a periferia econômica e institucional da região Sul Fluminense. Essa constatação não nasce de preferências partidárias, mas da frieza da grande maioria dos indicadores sociais e econômicos. A antiga liderança regional de Barra do Piraí submeteu-se, gradualmente, à estagnação, enquanto cidades vizinhas avançavam com maior velocidade, maior ousadia, maior capacidade de planejamento e de execução.
Consequentemente, o município cresceu menos, diversificou pouco, arruinou a qualidade do ensino público, perdeu a relevância produtiva e ficou para trás no conjunto da região. Em grande medida, isso decorre de uma escolha histórica: a dependência estrutural de repasses federativos e de emendas parlamentares. Ao adotar as emendas como eixo articulador da gestão, abriu-se mão da autonomia do planejamento público. Em vez de o orçamento orientar o futuro, passou-se a cumprir agendas externas, fragmentadas e descontinuadas, que pouco dialogam com um projeto de desenvolvimento de longo prazo.
Hoje, diante de um relevante atraso acumulado, não há espaço para hesitações. O desafio de Barra do Piraí exige não apenas foco, mas pressa, uma pressa qualificada, estratégica e orientada por resultados concretos. Pressa na modernização logística, para integrar o município de forma competitiva à economia regional. Pressa na reconstrução da base produtiva, capaz de gerar riqueza e oportunidades. Pressa na recuperação da qualidade do ensino, que é o alicerce de qualquer transformação sustentável. Pressa na formação de empregos qualificados, que fixem talentos e atraiam novos investimentos. Pressa, sobretudo, na conquista da autonomia financeira, condição indispensável para que a cidade retome as rédeas de seu destino.
Nesse contexto, é preciso distinguir o que anima a população do que transforma a realidade. Shows, eventos, festas e ações de impacto eleitoral entusiasmam os jovens e rendem popularidade, mas não retiram o município da periferia. Da mesma forma, inchar a máquina pública gera apoio eleitoral, porém não cria competitividade nem desenvolve capacidade institucional.
O desafio fundamental é um só: retirar Barra do Piraí da periferia. Isso implica reconstruir a capacidade municipal, entendida como a habilidade de planejar, executar e sustentar políticas capazes de superar obstáculos e alcançar objetivos estratégicos. Sem essa capacidade, qualquer iniciativa isolada será apenas paliativa; com ela, o município pode, finalmente, reencontrar o caminho do desenvolvimento.
A resposta barrense ao futuro depende de uma radical virada. Depende da decisão de substituir o improviso pelo projeto, a dependência pela autonomia, a lentidão pela urgência, e o imediatismo pela visão de longo prazo. Só assim Barra do Piraí deixará de ser espectador, deixará de assistir à evolução dos outros para construir seu próprio caminho.
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