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A SOMBRA LONGA DA OMISSÃO: HERÓIS, VÍTIMAS E O PREÇO DA CORAGEM

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A Sombra Longa da Omissão: Heróis, Vítimas e o Preço da Coragem

​A notícia fria não consegue dimensionar o abismo. Não consegue pesar a dor. O assassinato do Delegado Dr. RUI não foi apenas a morte de um homem; foi o assassinato de uma certeza, a certeza de que a lei, no final, prevaleceria. Sua partida é o atestado de óbito de uma segurança que há muito se esvaiu das mãos do Estado.​

Anos e anos de omissão. Essa é a verdadeira manchete que deveria gritar nos jornais. O crime organizado não brota da noite para o dia como um cogumelo venenoso; ele é cultivado na negligência, regado pela vista grossa e adubado pela cumplicidade silenciosa do poder. Durante décadas, assistimos ao seu crescimento, ignorando os sussurros que viraram gritos, os becos que viraram quartéis, e a lei que, na prática, se ajoelhou para o dinheiro ilícito. O Dr. RUI FERRAZ FONTES (IN MEMORIAM) é a prova trágica de que, quando o Estado recua, quem avança é a barbárie.

​E agora, o ciclo da ameaça se repete com uma frieza nauseante. As descobertas de atentados contra a vida de dois luminares, o Dr. LINCOLN GAKIYA e o Dr. ROBERTO MEDINA, ecoam não como avisos, mas como sentenças adiadas. Eles são a elite da inteligência, a retaguarda que insiste em manter a linha de frente de pé. São a personificação da dedicação obstinada: a bússola moral em um mar de corrupção e medo.​

Mas a crônica se impõe, não apenas para lamentar a tragédia consumada ou a tragédia anunciada, mas para questionar o amanhã. O amanhã desses homens.​

E quando eles se aposentarem, como ficará suas vidas?​

Essa é a pergunta que o Estado tem que responder. O herói fardado, ou de distintivo na mão, tem um prazo de validade para a sociedade e, invariavelmente, para o inimigo que combateu.

​Enquanto estão na ativa, com a proteção (ainda que insuficiente) de seus cargos, são Heróis. Eles são a referência de justiça, o símbolo de uma luta desigual travada em nome de milhões que dormem tranquilos. Recebem medalhas, discursos e o respeito de quem entende a guerra que travam.​

Mas a aposentadoria não é um descanso; é um exílio. É o momento em que o Estado, que deveria ser seu guardião eterno, retira a escolta e o colete, deixando-os à mercê. O crime organizado não se aposenta, não esquece, e não perdoa o dano que esses homens causaram ao seu império.​

Ao se aposentar, o Dr. LINCOLN e o Dr. MEDINA correm o risco de se tornarem Vítimas. Vítimas da ingratidão da máquina pública, vítimas da fragilidade de um sistema que lhes exigiu tudo — a juventude, a paz, a segurança da família — e que, no fim, lhes oferece apenas a solidão de uma vida vigiada.

​O verdadeiro dilema moral desta crônica é que, para esses homens, a linha entre herói e vítima é tênue e cruel. Eles não escolheram a covardia; optaram pela honra. E a honra, neste país, muitas vezes vem com um preço de sangue.​O legado do Dr. RUI, e a persistência do Dr. LINCOLN e do Dr. MEDINA, deve ser o estopim de uma revolta cívica. Não podemos aceitar que nossos melhores servidores públicos sejam tratados como peças descartáveis em um tabuleiro de xadrez onde o adversário tem cartas marcadas.

​São heróis por tudo que fizeram e ainda fazem. Mas serão vítimas se permitirmos que a sombra da omissão estatal — que criou e alimentou o monstro do crime organizado — os alcance no silêncio de seus lares. A dívida que a nação tem com eles não se paga com pensão, mas com a garantia de que a justiça que defenderam continuará os protegendo até o último de seus dias.

 

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A JAULA DOURADA DA ILUSÃO

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