A frase “Só a guerra constrói” ecoa com um paradoxo brutal. À primeira vista, soa como uma heresia, um desrespeito à memória das milhões de vidas perdidas, das cidades em ruínas e das nações desfiguradas. A guerra, por sua natureza, é a mais cruel das forças destrutivas. E, no entanto, a história, com sua frieza implacável, nos mostra uma verdade incômoda.
Após a Segunda Grande Guerra, as potências vitoriosas, Inglaterra e França, exauridas por um esforço de guerra que durou anos, encontraram-se em uma posição de vitória pírrica. A vitória lhes custou não apenas vidas, mas também o esgotamento de suas economias, a perda de vastos impérios coloniais e o envelhecimento de suas infraestruturas e de seu modelo de estado. Elas tinham vencido a guerra, mas não o futuro.
Enquanto isso, os perdedores, Alemanha e Japão, pareciam ter sido reduzidos a cinzas. Suas cidades foram arrasadas, suas indústrias, desmanteladas, e seus modelos de poder, totalmente destruídos. Era o que se esperava. O que não se esperava, porém, era a velocidade e a intensidade de sua reconstrução.
Livre do peso de um modelo de estado obsoleto e sem as amarras de um império a ser mantido, a Alemanha pôde se concentrar em uma reconstrução interna focada na indústria e na tecnologia. O Plano Marshall ofereceu o impulso necessário, mas foi o espírito de um povo em busca de redenção e um novo modelo de sociedade que fez a diferença. O mesmo ocorreu no Japão, que, sob a ocupação americana, abandonou seu militarismo e se dedicou a uma revolução industrial e tecnológica sem precedentes.
A guerra destrói não apenas edifícios e vidas, mas também paradigmas. Ela implode sistemas que já não serviam mais, forçando o surgimento de um novo. A Inglaterra e a França lutaram para manter seus antigos modelos de poder, enquanto a Alemanha e o Japão, não tendo nada a perder, puderam construir do zero.
Talvez “Só a guerra constrói” seja uma frase dura, mas ela nos lembra que a destruição, por mais dolorosa que seja, pode ser o catalisador para uma nova era, para uma nova forma de ver o mundo e de reconstruir o futuro. Um futuro que, ironicamente, por vezes pertence mais aos perdedores do que aos vencedores.
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