Chegamos ao Carnaval, e ainda que ele tenha se tornado, juntamente com outros eventos festivos, peça central de projeto político por render visibilidade, movimentar pontualmente o comércio e dialogar diretamente com a lógica eleitoral que estrutura a sobrevivência no poder, não há nessa estratégia qualquer anomalia sob a ótica do sistema político tradicional. Afinal, votos são a moeda mais valiosa do jogo. O problema surge quando esse tipo de agenda, episódica por natureza, passa a capturar grande parte da energia criativa e administrativa do município, podendo deslocar para o segundo plano o que realmente estrutura o desenvolvimento e define soluções para os crônicos problemas da cidade.
Essa danosa assimetria entre o longo e o curto prazo vem se naturalizando há décadas como um modus operandi que acaba mantendo os municípios em permanente dependência política.
É possível, inclusive, que o barrense ainda não tenha percebido que essa dependência política de Barra do Piraí, que subordina decisões estruturantes ao calendário eleitoral, tornou-se tão deletéria quanto a dependência fiscal. O município passou a carecer não apenas de recursos; mas, sobretudo de autonomia decisória e, dessa forma, cristalizou-se um ciclo vicioso: o município se acomoda à tutela externa e mitiga sua capacidade de planejar, executar e resolver seus próprios problemas estruturais.
Esse é um dos mais relevantes motivos pelos quais a rodoviária continua incrustrada no centro da cidade, o desabastecimento d’água se perpetua, as enchentes ameaçam anualmente e o ferrovia se mantém dividindo o centro do município.
De tão conhecidos, os entraves se eternizam e acabam formando um padrão. Olhando com um pouco mais de atenção, é possível perceber que Barra do Piraí tornou-se prisioneira de um sistema essencialmente eleitoral, que desestimula a autonomia, dificulta a inovação, impede avanços e banaliza o atraso. O resultado é uma cidade que reconhece seus problemas, mas tem enorme dificuldade em enfrentá-los, especialmente porque suas decisões sofrem considerável condicionamento de interesses externos. Dessa forma, boa vontade e recursos pontuais têm se mostrado insuficientes para alavancar o município.
Adicionalmente, não se trata aqui de negar a importância do Carnaval no calendário festivo e no dinamismo comercial. O desafio, entretanto, é entendê-lo como complemento, não como eixo estruturante de desenvolvimento.
Finalizando, para um município submetido a tamanha dependência, há interessantes alternativas no fortalecimento institucional, na reorganização estratégica e na ousadia política que juntos favoreceriam decisões orientadas para o real interesse do público barrense, aquele que vive no município, sustenta-o com seus impostos e o mantém funcionando com seu trabalho.
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SUGESTÃO DE LEITURA: ESTRATÉGIA EM TEMPO R EAL A NOVA DINÂMICA DA LIDERANÇA EMPRESARIAL: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/estrategia-em-tempo-real-a-nova-dinamica-da-lideranca-empresarial/
