Não há questionamentos sobre a essencialidade da Justiça (com J maiúsculo) para a defesa do cidadão.
Segundo uma fábula, relembrada certa vez por José Nêumanne, para o Estadão, um moleiro desafiou o Rei Frederico II, da Prússia, ao resistir a desapropriação de seu moinho, em Sans-Souci, sob o argumento: “Isso seria verdade se não houvesse juízes em Berlim”. Não houve desapropriação e o moinho ainda existe. Esse é o Estado de Direito que garante segurança ao cidadão.
Contudo, tem havido uma escalada nas assimetrias cometidas pelo judiciário, talvez pelo perfil de seus integrantes. Atualmente, somente dois dos onze ministros da Suprema Corte são juízes de carreira, aprovados em concurso público.
Um desses juízes de carreira, despojado de política partidária em sua vida pública, votou recentemente pela absolvição de um ex-presidente de diversas acusações utilizando-se de uma sentença absoluta e profundamente técnica, denunciando a total falta de provas em cada acusação. Foi o único, foi voto vencido e o réu condenado.
Por outro lado, diariamente chovem casos por todo o país de corruptos, traficantes e assassinos presos em flagrante, com incontável quantidade de provas, que são imediatamente colocados em liberdade por juízes e, em muitos casos, pelo próprio STF.
Há, portanto, uma significante assimetria provavelmente consequência de uma silenciosa, mas radical, alteração no conceito de crime, trazendo insegurança em todos os sentidos.