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BAIXO DESEMPENHO NA ALFABETIZAÇÃO DE BARRA DO PIRAÍ

foto de capa:
Gulfer ERGIN na Unsplash


A velocidade com que o conhecimento passou a determinar oportunidades econômicas, competitividade profissional e capacidade de adaptação social alterou profundamente as exigências impostas aos governos. O mundo contemporâneo ampliou a necessidade por informação, qualificação e capacidade intelectual em uma escala geométrica, pressionando famílias, empresas e, principalmente, o poder público. Nesse ambiente, administrar municípios
passou a exigir robusta capacidade de formação humana.

Sem alternativa, os municípios são chamados a priorizar o ensino. E essa prioridade começa exatamente na alfabetização, o ponto mais elementar na construção da inteligência.

É justamente nesse aspecto que Barra do Piraí falha e recebe um importante sinal de alerta. Os resultados recentemente divulgados do Indicador Criança Alfabetizada – ICA, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP revelam um desempenho extremamente baixo do município na alfabetização infantil. Em 2025, Barra do Piraí registrou nível 2 de alfabetização, o mais baixo de toda a região Sul Fluminense, quando alcançou somente 56% no índice de alfabetização.

A baixa performance se evidencia quando comparada com municípios vizinhos. Enquanto Barra do Piraí permanece no nível 2, municípios como Resende e Volta Redonda alcançaram nível 4, situando-se entre 70% e 80% na alfabetização de crianças.

Se considerarmos que a alfabetização não deve representar apenas um indicador educacional, mas o fundamento da capacidade cognitiva do cidadão, municípios que falham nesse estágio inicial comprometem toda a cadeia de desenvolvimento humano. E esse é, provavelmente, um dos mais relevantes motivos para a histórica dificuldade de industrialização de Barra do Piraí e para sua elevada dependência de recursos externos. Simplesmente porque um dos poucos instrumentos capazes de criar vantagens competitivas sustentáveis é a qualificação da população.

Por outro lado, uma análise séria das causas desse crítico desempenho dificilmente considerará a escassez de recursos financeiros como justificativa plausível. As constantes demonstrações de abundância orçamentária do poder público levam a crer em causas mais relacionadas com o padrão de gestão.

Os números também sugerem que o município reproduz os modelos de administração de ensino estabelecidos pelo estado e pela capital fluminense. O próprio Estado do Rio de Janeiro obteve índice de somente 60%, enquanto o município do Rio de Janeiro alcançou 64% de alfabetização, ambos os desempenhos baixos diante da meta nacional de 80%. Ainda que as influências existam, os resultados demonstram que essas não são as melhores referências administrativas para um município que necessita elevar sua competitividade econômica e social.

Em resumo, o precário desempenho barrense é mais um alerta sobre um indicador imperceptível para a população, mas com potencial suficiente para contribuir para o sucesso ou determinar o fracasso do município na construção de sua economia.