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BARRA DO PIRAÍ EM TRANSFORMAÇÃO

BARRA DO PIRAÍ EM TRANSFORMAÇÃO

Barra do Piraí chega ao seu 136º aniversário em cenário de transformação. Ruas ganharam asfalto novo, escolas foram pintadas, calendário de eventos foi intensificado. Percebe-se mudança, com o sentimento de reorganização administrativa, transmitindo à população a impressão de rumo e comando.

Alguns números do emprego também sugerem avanço pelo saldo positivo de 590 postos em 2025, sinalizando dinâmica em curso, ainda que marcado por oscilações mensais de características sazonais e pela predominância de ocupações de baixa qualificação.

Sem dúvida, é louvável a tentativa de elevar a autoestima do barrense que, provavelmente, se mostra satisfeito com os resultados. Contudo, quando a lente é ampliada, surgem informações e aspectos estruturais que não devem ser ignorados.

O último censo do IBGE mostra Barra do Piraí um município envelhecido, com 14% de sua população acima de 65 anos e razão de dependência em torno de 47%, ou seja, quase cinco dependentes (crianças e idosos) para cada dez pessoas em idade ativa. Configuração demográfica que requer políticas públicas específicas e planejamento de longo prazo, especialmente nas áreas de saúde, assistência social e geração de renda qualificada. Ignorar esse cenário é sinônimo de risco.

O mercado formal de trabalho reforça esse diagnóstico. Barra do Piraí possui cerca de 11 mil empregos com carteira assinada, o que corresponde a apenas 11% da população, com remuneração média em torno de R$ 2 mil, metade da média estadual. Além disso, quase 60% das remunerações estão concentradas nas faixas de menor poder aquisitivo (E e D), o que caracteriza Barra do Piraí como um município estruturalmente pobre, dependente de renda de baixa intensidade econômica.

Consequentemente, a fragilidade se evidencia na forte presença dos programas sociais, levando cerca de 7 mil famílias a dependerem do Bolsa Família, 2,5 mil famílias receberem Auxílio Gás e outros 2,5 mil barrenses se beneficiarem do BPC. Ainda que esses instrumentos almejem proteção social, seus níveis atuais revelam que a economia local não tem sido capaz de gerar autonomia suficiente para sua população. Indicadores que, provavelmente, não devem deixar o barrense satisfeito.

A persistência da insuficiência em quase todos os resultados pode sugerir inexistência de alternativas, entretanto há sim sinais de oportunidades. No final de 2025, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN publicou o estudo “Rio de Futuro”, que analisa caminhos para a reindustrialização fluminense e aponta oportunidades regionais de desenvolvimento. Apesar da constatação de diversos gargalos, o estudo identifica protagonismo industrial do Sul Fluminense, ao reconhecer a região como a segunda maior empregadora do Estado, especialmente no setor de metalurgia, e apresentar potencial para diversificação produtiva em vários segmentos.

Entretanto, ano eleitoral privilegia projetos de visibilidade (basta atentar para a frequência de eventos realizados com recursos públicos), onde o imediato retorno político desloca a inserção do município de forma competitiva na dinâmica regional, com os invisíveis projetos estruturantes. E aí reside o paradoxo. Mesmo em transformação, mesmo em festa, Barra do Piraí permanece na periferia econômica da região. Melhora a fachada, reorganiza serviços, eleva o moral coletivo, mas não estrutura o salto que redefine o destino ao não romper o círculo da baixa produtividade, da dependência assistencial e da limitada capacidade de gerar renda consistente. E não é justo responsabilizar o poder público por esse quadro, afinal ele entrega o que a população deseja.

Ao demandar aparência e eventos festivos, o barrense acaba contribuindo, inadvertidamente, para restringir as chances de o município desocupar a margem da região Sul Fluminense. Mas, se por um acaso a demanda barrense evoluir para autonomia econômica, protagonismo regional e prosperidade sustentada, aí sim o desafio começará.

Que Barra do Piraí alcance o padrão de município desejado pelo barrense!

Luiz Bittencourt
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