BARRA DO PIRAÍ ENTRE O PASSADO E O PRESENTE
BARRA DO PIRAÍ ENTRE O PASSADO E O PRESENTE
Poucos municípios brasileiros possuem uma história tão rica quanto Barra do Piraí. O passado barrense foi construído por uma sucessão de conquistas econômicas, políticas, educacionais, culturais e sociais que fizeram da cidade uma referência. Justamente por isso, o contraste entre aquele período de protagonismo e a realidade atual provoca um inevitável sentimento de nostalgia.
Porém, mais preocupante do que a perda desse protagonismo é a possibilidade de que essa memória passe a servir como substituto do planejamento estratégico. O maior risco para um município que já foi grande é tentar viver do passado, quando deveria utilizá-lo como inspiração para construir um futuro.
Barra do Piraí foi o maior entroncamento ferroviário da América Latina. Hoje, essa condição pertence à história.
Foi conhecida como a Pérola do Vale, símbolo de prosperidade, elegância e desenvolvimento regional. Não é mais.
Sua economia teve na agropecuária, especialmente durante o ciclo do café, um dos pilares de seu crescimento. Esse ciclo terminou e nunca foi substituído por outro de semelhante capacidade de geração de riqueza.
O peso econômico e intelectual do município era de tal ordem que Barra do Piraí chegou ao extraordinário feito de eleger, simultaneamente, dois Senadores da República, demonstração inequívoca de sua influência política. Hoje, essa liderança política pertence apenas às páginas da história.
O parque industrial alicerçava o sucesso econômico. Empresas como Thyssen Fundições, S.A. Martuscello, Fábrica de Fitas e diversas outras movimentavam a economia, geravam empregos qualificados e impulsionavam o desenvolvimento regional. Essa estrutura desapareceu, deixando um vazio econômico que jamais foi preenchido.
Na saúde, Barra do Piraí ultrapassava as fronteiras regionais. Pacientes buscavam atendimento no município graças à competência, ao comprometimento e à extraordinária habilidade do Dr. Antônio Francisco, cuja atuação marcou uma geração e elevou o nome da cidade como referência em procedimentos cirúrgicos. Mais um protagonismo perdido ao longo do tempo.
Provavelmente nenhuma área simbolize melhor a grandeza intelectual de Barra do Piraí do que sua educação. O município formou gerações sob a orientação de professores cuja dedicação, conhecimento e compromisso transformaram vidas. Nomes como Terezinha Alves, Deina, Seraphina, Carlinda, Miretta Baronto, Amélia Lisboa, Manira, Maria Riskala, Oswaldina, Lea Asmar, Graciema Pena, Maria Edith, Dagmar, Yolanda, Heloísa Moura, Nina, Ieda Nóbrega, Lutinha, Ramira, Olga, Aparecida Pegas, Isa Bastos, Martha, Vera de Freitas, Clecy, Rosemar Pimentel, Rafael D’Amatto, Cardoso, José Ribeiro, Ivanir Gussen, Rosendo Pimenta, Jair Gomes, Conrado, Lourival, Iório, Abdias, Dr. Lima, Pelegrini, Silvio “Migalha”, Califa, Gabriel Vilela, Jeová, Chacal e tantos outros constituíram um patrimônio humano inestimável, responsável pela formação intelectual de milhares de barrenses.
A todos eles nossos reconhecimento e gratidão permanentes. Foram educadores que ajudaram a construir uma sociedade mais preparada e capaz de enfrentar os desafios do seu tempo.
Entretanto, também é necessário reconhecer que, com o passar das décadas, ocorreu uma lenta degradação da estrutura intelectual do município. A perda de protagonismo educacional acompanha a redução da capacidade de produzir conhecimento, formar lideranças, impactando o desenvolvimento do município. Sem dúvida, o sistema necessita de profunda reorganização para recuperar sua excelência.
Os indicadores contemporâneos revelam um município que, sem alternativa, assumiu o papel de coadjuvante. A cidade administra o presente, mas não demonstra possuir um projeto consistente de recuperação econômica, educacional, tecnológica e institucional capaz de reposicioná-la entre os municípios mais competitivos da região. Diagnóstico útil para despertar a consciência coletiva. Cidades não vivem de lembranças, mas da capacidade de se reinventar.
O passado precisa ser preservado, estudado e celebrado, deve fortalecer a identidade barrense e inspirar as novas gerações. Contudo, não pode se transformar em refúgio confortável para justificar a ausência de planejamento.
O maior patrimônio de Barra do Piraí não está apenas naquilo que realizou, mas na histórica demonstração de que o barrense é capaz de construir grandeza.

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