Sair da encruzilhada em que se encontra é, de fato, o maior desafio de Barra do Piraí. O município carrega uma rica história, marcada por protagonismo econômico, logístico e cultural, mas vem sendo insistentemente condenado a conviver com uma realidade de estagnação que não se explica por falta de potencial, e sim por escolhas políticas e administrativas reiteradas ao longo de décadas.
O predomínio do modelo patrimonialista, imposto ao longo de décadas, baseado em relações pessoais, improvisação e decisões orientadas pelo curto prazo do calendário eleitoral, vem substituindo planejamento por paliativos e futuro pelo presente. A cada ciclo político, a cidade foi se acostumando a soluções cosméticas, incapazes de gerar desenvolvimento sustentável. O resultado é visível e não poderia ser diferente: Barra do Piraí figura como o município mais pobre da região Sul Fluminense, com os piores indicadores de ensino, de competitividade, de crescimento econômico, de poder de compra e de qualidade de vida, consolidando-se como periferia econômica e social da região.
A causa dessa decadência está menos associada a capacidade pessoal do gestor de plantão e mais a incapacidade de cada gestão em se desvencilhar do modelo imposto de cima para baixo, sujeição que começa engessando a capacidade de decisão do município e acaba bloqueando o uso de um modelo gerencial compatível com a debilidade econômica do município.
Mesmo sob gestões municipais mais bem intencionadas e organizadas, a essência do modelo patrimonialista permanece intocada, favorecendo à submissão política e econômica. Consequentemente, mantém-se, convenientemente,a aversão a avaliações de desempenho, à mensuração de resultados e à revisão de políticas públicas com o objetivo de conservar inalterada a máquina pública, justamente em um tempo em que inteligência artificial e inovação exigem mentes dinâmicas, gestão profissionalizada e capacidade de adaptação. O resultado, como se percebe, termina por privilegiar, por exemplo, a escola mais bonitasobre a escola mais eficaz, eventos festivos sobre políticas estruturantes, marketing político sobre planejamento de longo prazo.
Sem observatório municipal, sem se estudar, nem ser estudado, o município desconhece o diagnóstico sobre suas fragilidades e potencialidades, arriscando-se ao permanente desperdício deoportunidades para reposicionamento na economia regional. Ausência de autoconhecimento estratégico que reduz no poder público a capacidade de induziro desenvolvimento.
Por outro lado, ao não cogitar a transição do modelo patrimonialista para uma administração gerencial, orientada ao cidadão, a resultados e ancorada em accountability, o município corre o considerável risco de, ainda que inconscientemente, optar pelaperpetuação da decadência.
Essa é a encruzilhada com poder suficiente para determinar o destino do município.
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