O debacle econômico que o município de Barra do Piraí vem experimentando ao longo de décadas tem óbvia ligação com a crise da indústria ferroviária, a precariedade da logística, a baixa competitividade do município, a decadência de setores industriais chaves e, com especial relevância, a contínua perda do padrão educacional.
Sobre esse último, o mais estrutural dos fatores, percebe-se que, quando realizado, o debate sobre o sistema de ensino público barrense costuma ser conduzido pela ótica dos investimentos em prédios, equipamentos, tecnologia e infraestrutura escolar. Embora esses fatores sejam relevantes, eles estão longe de explicar a persistente insuficiência dos resultados educacionais do município. O problema central é menos material e muito mais conceitual e institucional.
Nos últimos anos, consolidou-se uma visão segundo a qual basta modernizar instalações e ampliar recursos físicos para que a qualidade do ensino avance automaticamente. Não é verdade. Essa lógica ignora que educação depende, essencialmente, de valores, método, compromisso, avaliação, gestão e, sobretudo, foco no aluno. Quando esses elementos são negligenciados, nenhuma lousa digital, laboratório ou prédio reformado é capaz de compensar o vazio que se instala.
Parte significativa do fracasso decorre do sequestro do debate educacional por ideologias que deslocaram o centro da escola do aprendizado, distanciando o aluno do mundo do trabalho. O resultado é uma geração que avança nos anos escolares com dificuldades no pleno domínio das competências básicas, fenômeno que mascara estatísticas, mas compromete o futuro.
Soma-se a isso a incapacidade analítica na formulação de políticas públicas educacionais. Programas são criados, menosprezando diagnóstico preciso, metas objetivas, monitoramento de resultados e correção de rumos, mais para atender agendas políticas do que para responder a evidências. Avaliações externas são relativizadas, rankings são desconsiderados, e o fracasso é frequentemente explicado por fatores externos (a culpa é sempre dos outros), sem que se enfrente a responsabilidade institucional da escola.
Outro equívoco estrutural está no progressivo desfoco do aluno. Em nome de burocráticos modelos administrativos, o estudante deixou de ser o centro da política educacional. O acompanhamento sistemático do desempenho e o estímulo à superação perdem eficiência quando substituídos por soluções genéricas.
Ainda mais grave é o abandono da meritocracia, deixando de avaliar e premiar o resultado, tanto do aluno quanto dos professores. A aprovação automática, a diluição de critérios de desempenho e a aversão a qualquer forma de diferenciação criaram uma cultura de acomodação, na qual a excelência é vista com desconfiança e a mediocridade é normalizada. Sem mérito, não há estímulo; sem estímulo, não há avanço.
O resultado desse conjunto de distorções é um sistema educacional que opera para cumprir protocolos administrativos, não para formar cidadãos capazes, críticos e preparados para a vida produtiva.
Transformar a escola em instrumento de prosperidade coletiva exige reavaliação de conceitos, ruptura de dogmas e reconstrução da cultura de excelência, o que, convenhamos, é bem mais do que orçamento.
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SUGESTÃO DE LEITURA: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/andre-kubitschek-politica-publica-precisa-gerar-impacto-real/
ANDRÉ KUBITSCHEK: POLÍTICA PÚBLICA PRECISA GERAR IMPACTO REAL