Barra do Piraí já foi sinônimo de influência econômica na região Sul Fluminense. Sua logística ferroviária, a força da cafeicultura e um comércio pujante fizeram do município referência regional e orgulho coletivo. Esse passado, hoje celebrado com respeito e nostalgia, tornou-se parte da identidade local, memória viva de um tempo em que Barra do Piraí produzia e prosperava.
A escolha do município para a próxima realização da Expo Turismo Vale do Café insere-se nesse contexto. Embora não haja significativa produção cafeeira desde a década de 1930 (quase um século) e embora o evento carregue claros contornos eleitorais, é inegável que ele movimenta a economia, aquece o comércio e fortalece o sentimento de pertencimento. Reverenciar a história é saudável, mas quando essa reverência não transforma memória em motor de desenvolvimento, revela-se somente uma saudade organizada.
Todavia, é possível fazer uma analogia entre tecnologias para o desenvolvimento de ontem e de hoje: o café e a Inteligência Artificial. Assim como o café foi a tecnologia econômica que estruturou riqueza, emprego e protagonismo regional no século XIX, até o início do século XX, a Inteligência Artificial é a tecnologia estruturante do século XXI, capaz de redefinir produtividade, competitividade e qualidade da gestão pública. O ativo estratégico se deslocaria da terra fértil para a capacidade de tomar decisões inteligentes, rápidas e baseadas em evidências.
Portanto Barra do Piraí, como tantos outros municípios, dispõe hoje da Inteligência Artificial, ferramenta que pode redefinir sua trajetória. Trata-se, como sabemos, de uma tecnologia disruptiva, capaz de revolucionar a gestão pública ao ampliar eficiência, fazer mais com menos, reduzir custos, automatizar rotinas, combater fraudes, qualificar decisões, melhorar mobilidade urbana, otimizar a saúde, racionalizar recursos e enxugar estruturas burocráticas. A Inteligência Artificial é, objetivamente, um instrumento de desenvolvimento.
Há, contudo, difíceis barreiras para sua implementação, menos por condições técnicas e mais por entendimentos culturais. A resistência de gestores, a dificuldade de capacitação de servidores e a persistência de analógicos modelos mentais impedem que a tecnologia seja incorporada como política pública estruturante. Não enfrentar esses impedimentos, porém, é aceitar que o futuro continue sendo administrado com ferramentas do passado.
A história já demonstrou que Barra do Piraí sabe lidar com ciclos de prosperidade. No entanto, parece faltar a compreensão de que tradição não é antônimo de inovação, até porque conhecer o passado fornece condições para investir no futuro.
Assim, não ousar, não utilizar Inteligência Artificial na gestão pública, hoje, não é neutralidade, é escolha. E escolha que prioriza o acaso em vez da estratégia, a nostalgia em vez do desenvolvimento.
Celebrar o passado certamente não constrói o futuro, mas também não é obstáculo para a construção de um novo ciclo de crescimento, agora guiado não pelos trilhos do café, mas pelos caminhos da tecnologia e da inteligência pública.
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SUGESTÃO DE LEITURA: https://revistadiaria.com.br/saude/nova-descoberta-da-esperanca-para-o-tratamento-de-cancer-de-pancreas/
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