BARRA DO PIRAÍ PERDE COMPETITIVIDADE
O Ranking de Competitividade, diagnóstico técnico sobre a capacidade do município construir futuro, elaborado pelo Centro de Liderança Pública – CLP para o ano de 2025, deve ter acendido um sinal de alerta em Barra do Piraí. Avaliando 418 municípios brasileiros com população acima de 80 mil habitantes, o Ranking mostrou o município na 359ª colocação nacional, perdendo 56 posições em relação ao ranking de 2024. O levantamento ainda revela significativa diferença entre os municípios da região, quando Barra Mansa se coloca em 272º lugar, Resende em 115º lugar e Volta Redonda em 143º lugar do mesmo Ranking.
Importa compreender o que está por trás desse resultado. Entre os pilares de pior desempenho de Barra do Piraí estão sustentabilidade fiscal, capital humano e qualidade da educação, exatamente aqueles que impactam fortemente a capacidade de um município construir desenvolvimento sustentável. Essa performance é compatível com uma cidade economicamente frágil, com insuficiente formação educacional.
Para piorar, os números identificam deterioração acelerada. Em comparação com 2024, o município perdeu 12 posições em sustentabilidade fiscal, caiu impressionantes 166 posições em qualidade da educação e recuou 91 posições em capital humano. Configura-se, sem dúvida, um movimento incomum que expõe perda de capacidade competitiva e crescente dificuldade de preparação do município para receber investimentos, o que acaba se tornando um complicador, pois todo município necessita produzir para crescer, porém a indústria exige ambientes organizados, eficientes e preparados para competir.
Ao perder capacidade educacional e capital humano, Barra do Piraí perde também atratividade econômica e a consequência natural é o aprofundamento de sua condição periférica na região, pela contínua perda de relevância.
No caso barrense, o cenário se torna mais sensível porque o município não possui riquezas naturais capazes de compensar suas limitações estruturais. Não há petróleo, mineração ou grandes ativos naturais capazes de impulsionar arrecadação estruturada e sustentado crescimento econômico. Adicionalmente, o setor agropecuário, que poderia alavancar a economia do município, não tem atraído suficiente apoio do poder público. Portanto, o barrense constitui a única riqueza natural de Barra do Piraí e é nele que se concentra a potencialidade do município.
Justamente por isso, educação e saúde deveriam ocupar posição absolutamente central nas prioridades públicas. Investir na formação do barrense significa investir no único ativo estratégico que o município possui, capaz de elevar produtividade, renda e capacidade competitiva.
Entretanto, dividir o foco administrativo e financeiro da principal riqueza municipal com agendas concentradas em eventos festivos e shows populares revela-se uma perigosa inversão de prioridades. O desproporcional espaço ocupado pelo entretenimento diante das carências educacionais e econômicas, eleva os riscos de desperdício de recursos, em município com elevada dependência financeira do estado e da União.
Sem dúvida, há uma crise de prioridades em Barra do Piraí.


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