BOLSA FAMÍLIA ABRIGA CERCA DE UM TERÇO DA POPULAÇÃO DA REGIÃO SUL FLUMINENSE
Nos últimos anos, o Brasil vem enfrentando uma preocupante escassez de mão de obra, tanto no setor produtivo quanto no de serviços. Em várias regiões do país empresas relatam dificuldade em contratar, fenômeno que se espalha por municípios de médio porte e ameaça comprometer o ritmo de crescimento econômico local.
Em parte da região Sul Fluminense, por exemplo, composta pelos municípios de Barra do Piraí, Barra Mansa, Valença, Vassouras e Volta Redonda, que juntos ultrapassam os 600 mil habitantes, o cenário merece atenção. Cerca de 31% da população é beneficiária do Bolsa Família, enquanto 38% está inscrita como de baixa renda no Cadastro Único do Governo Federal. Na prática, isso significa que quase um terço da sua população não produz e depende de programas de transferência de renda para sobreviver.
Paradoxalmente, essa mesma região abriga empresas de valor global responsáveis por uma parcela expressiva do PIB fluminense. Ainda assim, o contraste entre a presença de polos industriais avançados e a manutenção de bolsões de pobreza demonstra um desequilíbrio estrutural: há oportunidades nos municípios industrializados, mas falta mão de obra disposta ou preparada para ocupá-las.
Embora o Programa Bolsa Família cumpra um papel social essencial de combate à fome e de mitigação da extrema pobreza, sua estrutura não incentiva a transição do assistencialismo para a autonomia produtiva. Criou-se uma considerável legião de pessoas que não produzem e tampouco demonstram interesse em produzir, sustentadas por uma política pública que, sem mecanismos de reinserção no mercado de trabalho, acaba por perpetuar a dependência.
O problema não reside na existência do programa, mas na ausência de políticas complementares de capacitação e empregabilidade. O Bolsa Família oferece uma porta de entrada, mas não oferece condições de saída para a cidadania, limitação que, se conservada, potencializa na região um ciclo que impacta o dinamismo econômico e enfraquece o crescimento sustentável dos municípios.
Por outro lado, a ausência de reação por parte da região para estimular a capacitação técnica e a reinserção no mercado de trabalho mantém a ineficácia do programa como instrumento de emancipação e produtividade, necessárias para romper o ciclo da dependência, devolvendo à população de baixa renda o que há de mais digno: a oportunidade de crescer como consequência da sua capacidade produtiva e da sua contribuição para o desenvolvimento.
A contínua expansão do programa, sem a criação de uma efetiva porta de saída, tende a agravar o quadro, criando o risco de um cenário crítico para a região, em que uma parcela cada vez menor da população produtiva será responsável por sustentar um contingente crescente de improdutivos. Essa distorção ameaça a sustentabilidade fiscal, enfraquece a produtividade e compromete o equilíbrio entre o dever social do Estado e a vitalidade da economia.
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