CONSEQUÊNCIAS DA TRAGÉDIA POLÍTICA BRASILEIRA
Os últimos anos não têm sido prósperos para o Brasil. Os indicadores econômicos revelam um país que acumula sinais de decadência, sem apresentar reações capazes de sustentar recuperação. Enquanto outras nações avançam, o Brasil permanece preso a velhos problemas estruturais que comprometem seu desenvolvimento e reduzem suas perspectivas de prosperidade.
A perda de competitividade se tornou uma constante. O país continua alimentando o discurso de que possui um futuro promissor, mas entrega resultados cada vez mais compatíveis com uma nação desacelerada. O mais recente Ranking Mundial de Competitividade, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral, expôs essa realidade. O Brasil perdeu sete posições em 2026, ocupando a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas, superando apenas Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela. Esse foi um dos piores desempenhos da história recente do país, um fiel retrato de sua incapacidade de promover reformas capazes de elevar sua eficiência econômica.
O resultado não é obra do acaso. Ele integra um conjunto cada vez mais preocupante de indicadores negativos que apontam para um processo contínuo de enfraquecimento e deterioração da economia nacional. O Brasil convive com uma das maiores cargas tributárias do planeta, obrigando milhões de trabalhadores e empresas a destinarem cinco meses de sua produção ao financiamento de um Estado cada vez mais obeso, mais caro e menos eficiente.
Ao mesmo tempo, a produtividade do trabalhador brasileiro permanece em patamares extremamente baixos quando comparada às economias mais desenvolvidas. O Brasil ocupa a 94ª posição do ranking global, com um quarto da produtividade dos EUA. Produzimos pouco, inovamos pouco e crescemos pouco. Essa realidade engessa a geração de riqueza e afasta investimentos produtivos.
Os problemas não param por aí. A percepção de corrupção se expande (o Brasil se encontra na 107ª posição em 182 nações), fragilizando a confiança dos investidores e da sociedade nas instituições públicas. O número de recuperações judiciais alcança níveis recordes, consequência das dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor produtivo, e, para piorar, cerca de 80% das famílias brasileiras convivem com endividamento, evidenciando um cenário de extrema fragilidade financeira.
A educação, que deveria ser o principal instrumento de transformação nacional, também apresenta fortes sinais de decadência. O ensino básico tem se mantido em níveis insuficientes, as universidades brasileiras despencam nos principais rankings internacionais e o país não consegue posicionar sequer uma instituição entre as cem melhores do mundo. E o resultado, sem dúvida, se reflete na menor capacidade de produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e formar profissionais preparados para competir em uma economia global cada vez mais sofisticada.
Nesse contexto, a imagem do país é de descontrole e desgovernança. No lugar de concentrar esforços na elevação da produtividade, na modernização da infraestrutura, na melhoria da educação e na simplificação do ambiente de negócios, o debate político se limita a propostas de forte apelo eleitoral, sem qualquer sustentabilidade econômica.
É justamente nesse ambiente devastador que ganham espaço iniciativas populistas, apresentadas como soluções fáceis para problemas complexos. A proposta de redução da jornada de trabalho conhecida como 6×1 é o mais recente exemplo, representando a fórmula demagógica de como não se prospera distribuindo benefícios que a economia não é capaz de sustentar. Os países que hoje lideram os rankings de competitividade alcançaram esse patamar por meio de educação de qualidade, segurança jurídica, responsabilidade fiscal, inovação, produtividade e eficiência governamental. O Brasil, em sua tragédia política, caminha na direção oposta.
E a deterioração da competitividade ultrapassa os limites estatísticos, asfixia a criação de riqueza e impede o Brasil de oferecer oportunidades para seus cidadãos.
O alerta é muito claro. Os indicadores mostram que o país não consegue acompanhar o avanço global e a decadência ganha impulso com tentativas demagógicas de mascarar a realidade.

Sugestão de leitura: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/sustentabilidade-municipios-brasileiros-reforma-territorial/

Você precisa fazer login para comentar.