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BRASIL ENTRARÁ 2026 COM O PÉ ESQUERDO

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O ano de 2025 se encerra como um dos mais pesados da história recente do Brasil, tanto sob o prisma ético quanto econômico. Trata-se de uma carga que não se dissipa com a virada do calendário e que, ao contrário, projeta densas sombras sobre 2026.

O país chega ao próximo ano cansado, desconfiado e moralmente ferido, após sucessivos episódios que corroeram dramaticamente a credibilidade das instituições e agravaram a fragilidade das contas públicas. Fatos não isolados, consequentes de uma corrupção estrutural entranhada na promíscua relação entre interesses públicos e privados.

No campo ético, o choque foi profundo. A revelação de gigantescos desvios de recursos destinados a aposentados, estimados da ordem de R$ 6 bilhões, atingiu o coração do brasileiro. A suspeita de envolvimento de autoridades ligadas ao Ministério da Previdência e ao INSS, justamente órgãos incumbidos de gerir os recursos e proteger os mais vulneráveis, produziu indignação em toda a sociedade. O fato de o episódio demandar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal é sintoma da gravidade do escândalo e da incapacidade prévia de os mecanismos de controle simplesmente funcionarem.

Como se isso não bastasse, o país foi sacudido pelo escabroso caso da liquidação extrajudicial do Banco Master, com suspeição de fraude da ordem de R$ 12 bilhões, cuja repercussão extrapolou o sistema financeiro e atingiu o campo institucional. A simples possibilidade de envolvimentos no Supremo Tribunal Federal e em governos estaduais representa um dano ético de incalculáveis proporções, ao lançar dúvidas sobre instâncias que deveriam ser referência de legalidade, imparcialidade e retidão. Em meio a esse contaminado ambiente, o STF optou por dificultar as regras para eventual penalização de seus próprios integrantes pelo Senado Federal, movimento que foi interpretado por amplos setores da sociedade como corporativista e desconectado do sentimento público.

Diante da incontrolável turbulência, o STF anuncia a instituição de um código de conduta para a Corte, que, embora necessário, nasce fragilizado. Sem a clara definição de um órgão fiscalizador independente e com poderes efetivos, tal código corre o risco de se tornar apenas um documento retórico, incapaz de produzir consequências. Norma sem sanção é discurso vazio.

No plano econômico, o cenário também é desalentador. A trajetória da dívida pública, projetada para alcançar 82% do PIB em 2026, após um crescimento acumulado de cerca de 10% nos últimos quatro anos, confirma a ineficácia do arcabouço fiscal. O mecanismo, vendido como âncora de previsibilidade e responsabilidade, mostrou-se incapaz de conter o ímpeto expansionista dos gastos públicos. A consequência é a deterioração da confiança, o aumento do custo de financiamento e a compressão do espaço para investimentos produtivos.

Agrava esse quadro a deficiente gestão das estatais. O déficit de R$ 6 bilhões registrado em 2025 até o mês de outubro, segundo dados do Banco Central, repete o resultado negativo de 2024, o pior da história. No acumulado, desde janeiro de 2023, o déficit das estatais atinge R$ 18 bilhões. Os Correios, mesmo operando em regime monopolista, tornaram-se símbolo dessa ineficiência, com prejuízos que já transbordam para as contas públicas e recaem, inevitavelmente, sobre o contribuinte.

Diante desse conjunto, predomina a sensação de ausência de horizonte. Não há resposta efetiva aos escândalos éticos, não há rigor institucional para restaurar a confiança e não se enxerga possível reorganização das finanças do Estado. O Brasil, assim, caminha para 2026 carregando não apenas números desfavoráveis, mas o déficit da credibilidade.

Constata-se, portanto, que o país seguirá sua trajetória cada vez mais cara para a sociedade, garantindo sua entrada no ano novo com o pé esquerdo.

 

 

SUGESTÃO DE LEITURA: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/a-explosao-das-emendas-parlamentares/

A EXPLOSÃO DAS EMENDAS PARLAMENTARES

 

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