OPINIÃO
Não é de hoje que falar grosso com os EUA é o sonho de todo socialista brasileiro.
Desde que assumiu o poder, lá em 1995 com o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, o socialismo brasileiro aguarda com ansiedade esse momento que, enfim, parece ter chegado.
Após 25 anos de poder socialista e de intensas articulações com os pares internacionais, o Brasil parece se sentir confortável para provocar a nação cujo poder hegemônico mais incomodou, e incomoda, o socialismo internacional.
Mesmo sendo o mercado dos EUA o maior e mais líquido do mundo, representando 60% do valor global (em segundo lugar está o mercado do Japão com 6% do valor global), com valor na ordem de US$ 40 trilhões, enquanto o mercado do Brasil possui valor na ordem de US$ 1 trilhão, o líder do socialismo brasileiro, talvez com a segurança de um possível guarda-chuva do grupo BRICS, entendeu que chegou a hora de transformar o sonho em realidade.
Começou chamando o Presidente da maior nação democrática do planeta de fascista, insistiu com frequência na proposta brasileira em desdolarizar o comércio internacional, avançou permitindo a atracação em porto do Rio de Janeiro de dois navios iranianos, entre outras ações, algumas consideradas como declaração de guerra pelos EUA.
A esperada resposta veio em um conjunto de medidas tarifárias impostas pelos EUA, previamente planejado com o objetivo de reequilibrar as forças comerciais no mercado global e reindustrializar a economia dos EUA.
O Brasil, então, pelo ativo desempenho provocativo e pela coragem em tentar articular a destruição de ativos da nação mais democrática do planeta e de maior poder econômico, financeiro e militar foi agraciado com a maior tarifa (50%).
Diante de um quadro comercial global complexo e preocupante, cada nação se estruturou para identificar compensações, organizar propostas e negociar a redução da tarifa. Filipinas, Japão, Argentina, China, por exemplo, conseguiram.
O Brasil, ao contrário, ao perceber temporária oportunidade eleitoral, preferiu investir no discurso para o público doméstico visando 2026 e, sem prática em calibrações, continuou exagerando nos desacatos. Como consequência, os EUA não têm permitido negociação e, provavelmente, imporão sanções complementares ao país.
O cenário é péssimo, o quadro é de extrema gravidade. O setor privado, a força motriz de qualquer país, e a economia nacional estão na linha de frente e receberão a carga danosa das tarifas. O brasileiro pagará essa conta.
O sonho se realizou, mas a consequência será desastrosa.
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