- PUBLICIDADE -

BRASIL: O QUASE GOL ETERNO

- PUBLICIDADE -

 

Teu grito, Brasil, ecoa um lamento, de quem vê a trave, mas nunca o intento. Centroavante de mil chutes ao vento, a bola beija o poste, o peito lento. “Uuuuuu!”, frita a garganta em desespero, “quase gol!”, refrão de um país inteiro.

Tuas veias abertas, ferida que não sara, onde a oligarquia veste a mesma cara. Acordos espúrios, trama que não para, enquanto a esperança se esvai, escassa e rara. A voz da justiça, emudecida e fria, numa dança macabra de hipocrisia. A liberdade, um corpo estendido no chão, pelas mãos pecadoras, em cruel profanação.

Facadas diárias, sem dó, sem compaixão, em cada esquina, uma nova agressão. E o povo, refém de um fado incerto, perdido no labirinto de um “quase certo”. No palco da história, repete-se o ato, a mesma melodia, o mesmo extrato. Um gigante adormecido, em eterno contrato, com a sombra que rouba seu próprio retrato.

E a alma brasileira, em dor lancinante, questiona se o amanhã será triunfante. Mais versos sobre essa agonia, esse eterno “quase”: No pódio da sorte, um lugar nunca alcançado. Pois o jogo é viciado, o dado é forjado. A caneta que assina, o punho que é manchado, E o futuro do povo, mais uma vez, roubado. Promessas vazias, castelos de areia, desfeitos ao vento, em triste epopeia.

O suor do trabalho, em vão derramado, para alimentar um sistema falho e cansado. A fé do brasileiro, por vezes calado, Mas que em silêncio assiste o sonho ser quebrado. E a cada eleição, a mesma cantiga, de um povo que sonha, mas que nunca espiga. Nas ruas, o medo, a incerteza que impera, enquanto a corrupção se prolifera e ceia.

A justiça vendada, que nunca enxerga, os gritos dos fracos, que a força renega. E a esperança, por um fio, teima em viver, mesmo sabendo que é árduo florescer.

 

Persio Isaac
- PUBLICIDADE -

Últimas notícias

Notícias Relacionadas