O recente cenário econômico brasileiro sinaliza atenção, especialmente nesse ano eleitoral. O crescimento do Produto Interno Bruto de 2,3% em 2025, o menor desde o período mais crítico da pandemia, confirma significativa desaceleração da economia nacional quando comparada ao desempenho internacional. Enquanto a economia global avançou em média 3,2% e os países emergentes cresceram cerca de 4%, o Brasil manteve o “voo de galinha”, ficou atrás de seus pares e, consequentemente, caiu para a 11ª posição no ranking das economias mundiais.
A composição desse crescimento merece um olhar atento. O resultado positivo foi sustentado principalmente pelo desempenho recorde da agropecuária, que cresceu 11%, e pela indústria extrativa, com expansão de 8%, setores relevantes e altamente competitivos, mas fortemente dependentes do ciclo internacional de commodities. Em contrapartida, segmentos estratégicos para o desenvolvimento de longo prazo, como a indústria de transformação e serviços de maior valor agregado, tiveram modesta participação na expansão do PIB.
O quadro se torna ainda mais delicado diante da deterioração fiscal. A dívida bruta brasileira aproxima-se de 80% do PIB, patamar elevado para o padrão dos países emergentes e superior à média da Zona do Euro, mas ainda insuficiente para conter a expansão dos gastos públicos (aumento de 2% em relação a 2024). Ao mesmo tempo, episódios recentes envolvendo o sistema financeiro (Banco Master) e instituições públicas (INSS) reforçam a percepção de que a corrupção se mantém em níveis alarmantes, envolvendo estruturas que deveriam garantir segurança jurídica e estabilidade institucional.
Como consequência da instabilidade reinante, o país tem enfrentado substancial aumento nas recuperações judiciais e no desemprego estrutural, enquanto é submetido à retração de investimentos produtivos e crescentes déficits nas empresas estatais, configurando, inevitavelmente, o fracasso da política econômica.
E a combinação de fragilidade econômica e vulnerabilidade institucional tem levado empresas brasileiras a buscar ambientes mais previsíveis para investir. O Paraguai, por exemplo, tem atraído indústrias nacionais ao oferecer menor carga tributária, regras mais estáveis, custos competitivos e abundância de mão de obra. Paralelamente, cresce a emigração de brasileiros, que já se aproxima da marca de cinco milhões de cidadãos vivendo no exterior em busca de oportunidades que não encontram no país.
Quando empresas deixam o país, as consequências sociais se tornam inevitáveis. A economia cresce pouco, a geração de empregos formais não acompanha a expansão da força de trabalho e aumenta a pressão sobre programas assistenciais. Hoje o Brasil conta com cerca de 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada enquanto mais de 55 milhões de pessoas dependem do Bolsa Família. Assimetria que cria risco estrutural ao resultar de uma ampliação da dependência social em ritmo superior ao da capacidade produtiva do país. Fomentar essa discrepância é, no mínimo, insensatez.
Sem produção, não há como sustentar o Estado.
E, para piorar, vem de fora um conjunto de agravantes trazendo imprevisibilidade pela reorganização mundial e pelas tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, ampliando a volatilidade nos mercados de energia, pressionando custos de produção e adicionando mais incerteza.
Assim, o Brasil chega a 2026 diante de um complexo quadro que abrange modesto crescimento, fragilidade fiscal, estagnação industrial, insegurança jurídica, limitado padrão de competitividade e recorrentes sinais de deterioração institucional.
É justamente nesse ambiente que se inicia o ciclo eleitoral, período reconhecidamente pródigo em promessas de dilatação de gastos, flexibilização de regras fiscais e adoção de medidas populares. Propostas populistas como por exemplo a redução da jornada de trabalho, sem correspondente aumento de produtividade, ganham força ainda que carreguem potencial ampliação de desequilíbrios já existentes. Ao sobrepor a lógica eleitoral à responsabilidade fiscal, à integridade institucional e à busca por produtividade, eleva-se o risco de agravamento das crises econômica e moral que o país enfrenta.
Para 2026, além da certeza da incerteza, há, no mercado, expectativa de desaceleração da China, redução na atividade econômica brasileira, baixo padrão de investimento, juros elevados e inadimplência em níveis recordes.
As perspectivas não são boas!
