A sucessão de fatos ocorridos no Brasil no dia do encerramento da COP30, em que o Judiciário determinou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro ao mesmo tempo em que ordenou a soltura de empresários envolvidos no escandaloso esquema do Banco Master, amplificou a perplexidade nacional. Mas, paralelamente a perplexidade generalizada, outro revés de grandes proporções se consolidava em Belém do Pará: o fracasso anunciado da 30ª Conferência do Clima.
O evento, que consumiu cerca de R$ 3 bilhões do governo brasileiro, revelou problemas estruturais que destoam completamente do padrão esperado para um fórum global dessa relevância. Alagamentos, quedas de energia, desabastecimento de água e até um incêndio, felizmente sem vítimas, criaram um ambiente de desconforto e instabilidade que em nada contribuiu para a já estressante dinâmica de negociações climáticas internacionais. A sensação de improviso corroeu a credibilidade do país anfitrião perante observadores e delegações estrangeiras.
O esvaziamento político também foi marcante. A ausência dos principais líderes mundiais, especialmente o presidente dos EUA, que sequer enviou representante, e o presidente da China, as duas maiores potências poluidoras do planeta, reduziu drasticamente o potencial de avanços significativos. O recado implícito foi claro: o Brasil não tem capacidade de mobilizar os grandes atores globais em torno da agenda ambiental. Essa limitada influência ficou explícita no destino da proposta brasileira, o chamado “Caminho da Rota” (Road Map). Pouco ou mal articulado, o plano recebeu apoio de apenas 80 dos 200 países presentes e acabou rejeitado na Carta Final, um resultado constrangedor para quem almejava protagonismo.
A busca por aportes internacionais para fundos climáticos, prioridade absoluta dos países em desenvolvimento, também terminou frustrada. Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, por exemplo, recusaram-se a contribuir para o Fundo Florestal. Paradoxalmente, o Brasil, que enfrenta severas restrições fiscais, comprometeu-se com um aporte de US$ 1 bilhão, gesto que, embora simbólico, acentua a disparidade entre ambição diplomática e realidade econômica.
Para completar, a condução da presidência da COP30 foi alvo de duras críticas de diversos países que apontaram desrespeito a procedimentos oficiais e desprezo por contribuições de grupos de trabalho, em benefício de interesses próprios do comitê anfitrião. Em um ambiente tão sensível quanto responsável, a legitimidade processual é tão importante quanto o conteúdo das decisões, e sua fragilização pode comprometer a confiança no resultado final.
Em suma, a COP30 não frustrou expectativas apenas por fatores externos, mas sobretudo pela combinação de frágil coordenação política, precária organização logística e insuficiente capacidade de articulação internacional. Um evento concebido para propagandear a liderança ambiental do Brasil terminou evidenciando justamente o contrário.
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