CORRUPÇÃO E POPULISMO DOMINAM O CALENDÁRIO ELEITORAL
O Brasil chega a mais um ciclo eleitoral carregando problemas econômicos, institucionais e sociais que se acumulam há anos, comprometendo a capacidade do país de crescer, gerar riqueza e oferecer estabilidade à população. O atual ambiente eleitoral brasileiro tornou-se um dos mais conturbados das últimas décadas. A polarização política, longe de ser o maior problema nacional, se constitui, apenas, na face mais visível de uma crise muito mais profunda e estrutural, que envolve os três poderes da República.
O país apresenta baixo padrão educacional, limitada produtividade industrial, excessiva dependência estatal, elevada dívida pública (caminhando para 100% do PIB), escorchante carga tributária, colossal endividamento das famílias (atinge cerca de 80% das famílias), incomparável grau de corrupção e de impunidade, domínio territorial do crime organizado (estima-se que alcance quase metade da população), reduzida competitividade internacional, recordes em recuperação judicial e uma máquina pública gigantesca e onerosa. Ao mesmo tempo, multiplicam-se denúncias de corrupção, enquanto se tem a certeza do aparelhamento político das estruturas administrativas e aumentam as possibilidades de impunidade.
A consequência natural é o enfraquecimento da confiança, elemento essencial para qualquer economia saudável. Sem previsibilidade, investidores recuam, empresas cancelam expansão ou se transferem para o Paraguai, empregos deixam de ser criados e o consumo desacelera. O ambiente eleitoral, que deveria representar oportunidade de renovação e reorganização institucional, é transformado em adicional fator de insegurança.
A deterioração econômica brasileira não decorre de um único fator isolado, mas da combinação de sucessivos equívocos estruturais. O país perdeu eficiência industrial, aumentou sua dependência do setor público e ampliou gastos sem construir capacidade proporcional de geração de riqueza.
Paralelamente, setores fundamentais acumulam sinais de esgotamento. A saúde pública enfrenta graves dificuldades operacionais, a segurança pública convive com a impunidade (e o consequente fortalecimento do crime organizado) e a educação segue incapaz de formar, em escala adequada, profissionais preparados para enfrentar um mercado global cada vez mais exigente e tecnológico. Até áreas historicamente respeitadas, como a formação médica, começam a se deteriorar diante da desordenada expansão de cursos e da perceptível queda de qualidade em muitos centros de ensino.
Ainda assim, em vez de enfrentar os problemas estruturais, parte significativa da classe política prefere concentrar esforços em propostas de forte e imediato apelo eleitoral. A proposta de reduzir a jornada de trabalho 6×1 sem redução salarial, exemplo emblemático desse comportamento, tem exclusivo fim populista ao ignorar as limitações econômicas do país e os impactos sobre produtividade, competitividade e geração de empregos. A consequência mais provável dessa proposta será a ampliação dos beneficiários do Bolsa Família.
A lógica de que avanços sociais decorrem da eficiência econômica é invertida no Brasil, que prefere ampliar os custos para depois encontrar meios econômicos para suportá-los. E, então, o empregador perde capacidade de contratação, aumenta a informalidade, reduz-se a arrecadação, cresce a dependência de programas assistenciais.
A complexidade se amplia quando ocorre a conhecida instabilidade política. Em um ambiente marcado pela institucionalização da corrupção e pela ocupação política de estruturas públicas, denúncias, investigações e crises tornam-se elementos recorrentes do calendário eleitoral. Considerando o elevado grau de impunidade do país, o simples surgimento de novos episódios já é suficiente para ampliar a insegurança dos mercados e alimentar a imprevisibilidade econômica. E não há dúvida de que o mercado reage rapidamente. O capital evita ambientes instáveis. O investidor posterga decisões. O empresário reduz riscos. O consumidor perde confiança. O país desacelera.
É nesse ambiente que o eleitor brasileiro é chamado a decidir os rumos nacionais para os próximos quatro anos. Entretanto, ainda que com toda essa engrenagem, há uma clara percepção de que o mercado e o cidadão produtivo, aqueles que fazem o país, temem não somente a manutenção do desgaste social e da deterioração econômica, mas também a ausência de compromisso com produtividade, com recuperação educacional e com fortalecimento institucional.

Sugestão de Leitura: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/estrategia-geopolitica-brasil-america-do-sul/


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