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DEPENDÊNCIA E O BLOQUEIO AO CRESCIMENTO ECONÔMICO

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DEPENDÊNCIA E O BLOQUEIO AO CRESCIMENTO ECONÔMICO

 

A conceituação predominante na gestão pública municipal, especialmente entre os municípios de frágil economia, tem se mostrado um dos maiores entraves ao desenvolvimento sustentável do país. A cultura da dependência financeira consolidou-se como uma espécie de “modelo de sobrevivência”, onde as administrações municipais se habituaram a esperar pelas transferências constitucionais e pelos repasses voluntários da União e dos Estados, em vez de buscarem com vigor a autonomia econômica.

Essa prática, que à primeira vista garante a manutenção de serviços essenciais, tornou-se um ciclo vicioso: assegura a imediata sobrevivência, porém retira a capacidade de construir o futuro. As “mesadas financeiras” recebidas de outras esferas de governo suprem o básico, mas sufocam a liberdade de planejar o próprio destino. O resultado é uma paralisia institucional, na qual prefeitos e gestores se tornam administradores de escassez, e não de oportunidades.

A crônica dependência agravou outro fenômeno preocupante: os críticos desequilíbrios fiscais, que passaram a ser ocorrências rotineiras entre os municípios brasileiros. Com receitas próprias insuficientes e despesas crescentes, especialmente com custeio da máquina pública e folha de pagamento, muitos municípios enfrentam recorrentes crises financeiras. A cada queda de arrecadação ou atraso em repasses, instala-se o colapso orçamentário e a gestão passa a girar em torno de ajustes emergenciais, cortes e renegociações, sufocando qualquer possibilidade de investimento produtivo.

Enquanto isso, medidas estruturantes, como políticas de diversificação econômica, incentivo à inovação local, qualificação profissional e fortalecimento do empreendedorismo, amparadas na meritocracia e na eficiência, são frequentemente deixadas de lado. No lugar delas, proliferam eventos festivos e embelezamento urbano, que geram satisfação momentânea e retorno eleitoral rápido, mas nenhum efeito duradouro. Trata-se da substituição da felicidade estruturante pela felicidade eventual, mais barata em esforço e mais rentável em votos.

As consequências desse conceito são profundas e cumulativas. Municípios permanecem estagnados, não identificam onde estão (nem em que querem se tornar), e acabam incapazes de gerar empregos de qualidade, de ampliar suas receitas próprias ou de reter seus jovens. A constante dependência financeira transforma-se em dependência política e a recorrência dos desequilíbrios fiscais mina a credibilidade administrativa, afasta investidores e paralisa projetos estratégicos.

Romper com esse ciclo exige reconceituar o papel do município não como simples executor de repasses, mas como agente estratégico do desenvolvimento regional. Investir em capacitação técnica, planejamento econômico e parcerias público-privadas é o atalho para sair da zona de conforto e retomar o protagonismo.

O crescimento municipal duradouro nasce da autonomia e esta não se constrói com dependência, mas com propósito, responsabilidade fiscal e visão de futuro. Enquanto a cultura da mesada prevalecer, os municípios continuarão a trocar o futuro pela conveniência política.

 

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