A recente trajetória da economia brasileira tem criado dúvidas na expectativa geral. A queda do desempenho do PIB em 2025, seu crescimento modesto ao longo da década de 2020, as incertezas no ambiente internacional e a proximidade das eleições que definirão os rumos do país sugerem apreensão com a economia nacional.
E há, como exemplo na história recente, um destacado desempenho econômico. Em cerca de somente 35 anos, a China promoveu uma das mais impressionantes transformações econômicas do mundo contemporâneo. As reformas lideradas por Deng Xiaoping construíram uma estratégia baseada na industrialização acelerada, na abertura controlada ao capital externo e na utilização da inovação tecnológica como vetor de crescimento.
Entre 1990 e 2025, a economia chinesa se expandiu em, aproximadamente, 2.400%, com crescimento médio anual próximo de 8%. Em comparação, na década de 2000, o Brasil cresceu, em média, 3,7% ao ano. Na década de 2010, desacelerou e cresceu, em média, 1,3% ao ano. No início desses 35 anos, em 1990, China e Brasil possuíam dimensões econômicas semelhantes, com PIB próximo de US$ 420 bilhões. Três décadas e meia depois, o PIB chinês alcança cerca de US$ 20 trilhões, enquanto o brasileiro se situa na faixa de US$ 2 trilhões.
A diferença é estrutural e decorre, essencialmente, das escolhas do modelo econômico.
A estratégia chinesa de capitalizar sua economia priorizou investimentos produtivos, exigiu transferência de tecnologia de multinacionais interessadas em acessar seu mercado, transformou universidades em polos de pesquisa aplicada e estruturou uma consistente política industrial. O Estado atuou como planejador estratégico do desenvolvimento, impulsionando a inserção competitiva do país nas cadeias globais de valor.
No caso brasileiro, a trajetória foi o oposto. O país socializa sua economia, mantém forte dependência da exportação de commodities, convive com um complexo e oneroso sistema tributário, pouco investe em pesquisa, normaliza recorrentes desequilíbrios fiscais e apresenta baixos níveis de produtividade, consequência direta de limitações na qualidade do ensino e de insuficientes investimentos em infraestrutura logística e tecnológica. E, sem ganhos expressivos de produtividade não há crescimento sustentável.
Os números, como sempre, refletem a performance. A década de 2020 começou com crescimento de 4,6% do PIB brasileiro em 2021 e terminou com 2,3% em 2025, crescimento desacelerado pela metade. Como consequência, o Brasil perdeu relevância internacional, ao cair do 6º lugar entre as economias do mundo em 2006, para o 11º lugar, em 2025.
Enquanto a China estruturou um projeto nacional de desenvolvimento produtivo, o Brasil manteve um modelo econômico fortemente orientado pelo consumo interno, pela expansão do gasto público e por limitada capacidade de transformação tecnológica.
Conclusões inevitáveis: O Brasil não é competitivo, resultado de suas próprias estratégias de longo prazo, e uma possível manutenção do atual modelo econômico estimula dúvidas sobre o desempenho brasileiro no médio prazo.


