Carregando agora

DIFICULDADES BARRENSES EM PROSPERAR

DIFICULDADES BARRENSES EM PROSPERAR

Ao celebrar seus 136 anos, o município de Barra do Piraí carrega uma história repleta de sucessos, frustrações e desafios que, longe de serem novos, permanecem sem solução. A existência de barrenses incomodados com a atual realidade econômica sinaliza que a sociedade local não se cansa de buscar respostas capazes de interromper o ciclo de estagnação e recolocar o município em uma consistente rota de prosperidade.

Ainda que estratégia deva começar pelo futuro, não há como evitar a contextualização pela histórica comparação com Barra Mansa e Volta Redonda. Em meados do século passado, havia entre os três municípios um relativo equilíbrio econômico e populacional. Hoje, passados três quartos de século, os números expõem um expressivo distanciamento. Barra Mansa dobrou sua relevância demográfica e econômica em relação a Barra do Piraí, enquanto Volta Redonda não apenas possui o triplo da população barrense, como alcançou uma produção de riqueza, expressa pelo PIB, cinco vezes superior à de Barra do Piraí.

Esses contrastes não ocorreram por acaso. Considerando que prefeitura não produz, a responsabilidade por esses crescimentos está no mercado, na iniciativa privada. No caso específico de Volta Redonda, o desenvolvimento foi resultado de um projeto ancorado no trabalho. Na produção. E não há um indício sequer de que seu progresso tenha sido sustentado por políticas centradas em eventos, festas, aparências ou soluções de curto prazo. Ao contrário, Volta Redonda iniciou sua trajetória submetida à estratégia produtiva, capaz de transformar realidades.

Diante disso, é inevitável imaginar o que pode ter acontecido a Barra do Piraí. Uma hipótese plausível reside no enfraquecimento de elite econômica local ou, por algum motivo, na sua eventual desistência de exercer protagonismo nos destinos do município. Hipóteses que resultam na criação de um vazio de liderança e de visão estratégica, vazio esse que não permanece desocupado e tende a ser imediatamente preenchido pelo Estado ou pela União, transferindo o centro das decisões para fora do município. Pressuposto que faz surgir, nessa nova configuração, a figura do “patrono político”, que condiciona recursos à lealdade eleitoral, estabelecendo uma relação de dependência e submissão. Esse modelo corre o risco de se sustentar no clientelismo que, ao proporcionar troca entre atores de poder desigual, se apropria da máquina pública e acaba por aprisionar o desenvolvimento local.

Como se esse risco não bastasse, uma vez instalado, esse sistema é capaz de criar raízes profundas de difícil superação, ao exigir ruptura de práticas consolidadas sujeita a forte oposição do establishment.

Portanto, com a finalidade de evitar esses e outros riscos, o desafio do crescimento econômico de Barra do Piraí passa pela identificação de um modelo que mantenha sua identidade, sustente suas decisões e substitua tendência por direção.

Ainda assim, considerando a necessidade de se prevenir contra as recorrentes dificuldades em prosperar do município, somente a pré-disposição dos barrenses em desenhar um futuro será capaz de estimular debates, contemplando os fatores de atraso, com o propósito de tratar seriamente a redefinição da lógica para a construção de uma consistente base produtiva do município.

 

Luiz Bittencourt