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DOMINGO DE LUZ TÍMIDA E A DESILUSÃO POLÍTICA

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Domingo de Luz Tímida e a Desilusão Política

Domingo. Na minha amada aldeia, o céu se veste de um cinza-claro, um véu razoavelmente nublado que tenta, sem sucesso, conter a promessa do dia.

Os raios de sol, esses teimosos mensageiros da esperança, começam a perfurar a cortina de nuvens, desenhando fios dourados sobre a paisagem ainda sonolenta. Seu calor, a princípio um mero sussurro, logo se expandirá em abraço. E eu, nesse limiar entre a sombra e a luz, sinto o peso de um país desencantado, um cansaço de segredos e mentiras que parecem emanar das mais altas esferas.

Há um acumulo, uma poeira de omissões e distorções que se sedimentou na alma de uma sociedade ao longo do tempo. E hoje, sob a leve melancolia deste domingo, essa carga vai se tornando cada vez mais insuportável. Talvez seja o sol tímido que nos convida à transparência, ou o silêncio da manhã que amplifica os ecos da consciência. De qualquer forma, a urgência de desatar esses nós é premente.

Meus sonhos, por sua vez, permanecem. Apesar do desencanto, da vivência e do desgaste natural do tempo, eles se recusam a envelhecer. Lutam bravamente contra o calendário, contra as rugas das desilusões que se instalam no rosto da esperança e, por vezes, na alma. São como jovens indomáveis, cheios de uma energia que exige renovação, que propõe novos horizontes. E nessa persistência, encontro uma força para purgar o que nos pesa.

Os fracassos desse País, esses fantasmas que insistem em rondar a memória, vêm à tona. Cada tropeço, cada porta que se fechou, cada “não” que ecoou, poderia ser um fardo a carregar. Mas a escolha, hoje, é outra. É a de transformá-los, um a um, em fontes de inspiração. Não como cicatrizes de vergonha, mas como mapas de aprendizado, bússolas que apontam para onde não se deve ir novamente, ou onde precisamos tentar de uma nova maneira.

A política é como a vida: um eterno processo de lapidação, e cada erro é uma martelada que, embora dolorosa, molda um eu mais resiliente, uma escolha mais primorosa. É alarmante ver como a imoralidade de homens públicos se tornou um comportamento normal e aceitável, e como a sociedade, em muitos casos, se transformou em meros torcedores da insensatez política, aplaudindo ou vaiando lados, sem questionar a ética ou a decência.

E então, o pensamento me leva à decência, à ética, à liberdade de expressão e à moralidade. Esses valores deveriam ser em nossa mente como a leveza de um pássaro, livre e desimpedido. Não podem, não devem, ser presos em gaiolas sem sentido. Gaiolas de expectativas irrealistas, de posse, de medo, de convenções. A liberdade tem que respirar na vastidão do céu, na liberdade de ir e vir, nas opiniões, na confiança que se deposita nas asas que se elevam. Prendê-la é condená-la à morte por asfixia, a uma existência triste e sem propósito. Ela só floresce na leveza, na espontaneidade e na verdade.

Este domingo, que se anuncia entre nuvens e raios dourados, parece ser um convite à alforria. À alforria das mentiras que sufocam, dos fracassos que paralisam e da cegueira que nos impede de enxergar a responsabilidade coletiva. É um dia para respirar fundo, deixar o sol aquecer a pele e a alma, e permitir que a verdade se desdobre, simples e libertadora.

Como você percebe o papel da sociedade nesse cenário de desencanto político?

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O GRITO NO SILÊNCIO

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