Ao final de cada ano, é natural que o cidadão faça um balanço do caminho percorrido e projete expectativas de maior produtividade, eficiência e progresso para o período que se inicia. Trata-se, na realidade, de um automático exercício de esperança. Contudo, para o barrense, esse olhar retrospectivo tem sido, reiteradamente, fonte de angústia e preocupação. O cenário que se impõe é desagradável e revela um município que, ao longo do tempo, foi se acostumando a equívocos que o levaram a uma trajetória de decadência econômica, contínuo empobrecimento, perda do poder de compra e de relevância.
Os números escancaram essa realidade. Considerando apenas as duas últimas décadas, chega a causar perplexidade constatar que o PIB atual de Barra do Piraí corresponde ao PIB de Barra Mansa de 2008 e à metade do PIB de Volta Redonda de 2006. Mais ainda, a economia hoje produzida por Volta Redonda equivale à soma de sete municípios com o porte econômico de Barra do Piraí. Essa comparação não é mero exercício estatístico, mas um retrato fiel da distância que se abriu entre o município e seus vizinhos mais dinâmicos. O atraso da economia barrense é significativo e de complexa recuperação.
O crescimento vegetativo, desacompanhado de planejamento, investimento e modernização, terminou por estrangular a competitividade barrense. Não por acaso, nos mais recentes rankings de competitividade, Barra do Piraí figura invariavelmente entre as últimas colocações da região Sul Fluminense. A incapacidade de competir com municípios vizinhos tornou-se um traço estrutural, reflexo de escolhas equivocadas acumuladas ao longo de décadas. Esse mesmo padrão se repete em áreas essenciais como saúde e educação, onde os indicadores confirmam similar evolução.
Há, ainda, a estranha sensação de um invisível escudo pairando sobre o município, impedindo o entendimento de que a iniciativa privada é o principal motor do desenvolvimento econômico. Resistência que vinha imprimindo à gestão pública uma dinâmica anacrônica, incompatível com as exigências do século XXI para o crescimento sustentável.
Foi nesse contexto que Barra do Piraí estagnou e assistiu, passivamente, ao progresso de seus vizinhos.
Entretanto, o município dispõe hoje de diagnósticos e detalhadas informações sobre sua evolução, elaborados por diversas instituições confiáveis, o que, não resta dúvida, é uma extraordinária vantagem. O barrense, se quiser, pode ter acesso a informações atualizadas sobre o desempenho do município, mas, em contrapartida, não encontra projeto que defina claras perspectivas. Pode, como vimos, conhecer o passado, avaliar o presente, mas não consegue imaginar o futuro.
Por ser o único responsável pela excepcionalidade do quadro municipal, o barrense tem a alternativa de uma crítica reflexão. Suas escolhas ao longo do tempo, seja nas prioridades defendidas ou nas omissões toleradas, levaram Barra do Piraí a esse cenário e continuarão determinando os destinos do município.
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INFECTOLOGISTA EXPLICA A IMPORTÂNCIA DE HIGIENIZAR A GARRAFINHA D’ÁGUA