Giza TEA quer transformar Brasília na capital da inclusão
Em entrevista a Jorge Eduardo, do Portal GPS, candidata a deputada distrital defende diagnóstico acessível, capacitação de servidores, inclusão no mercado de trabalho e participação direta das pessoas com deficiência na formulação de políticas públicas
Diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA) aos 50 anos, a jornalista Giza TEA, candidata a deputada distrital pelo Mobiliza, transformou a descoberta tardia em uma das principais bandeiras de sua entrada na política. Em entrevista ao jornalista Jorge Eduardo, do Portal GPS, ela afirmou que pretende fazer de Brasília uma referência nacional em inclusão.
Giza adotou o TEA no próprio nome de urna para transmitir uma mensagem: “Um autista pode ser o que ele quiser. Inclusive político.” Para ela, a presença de uma mulher negra, autista e neurodivergente na Câmara Legislativa também pode servir de estímulo a outras pessoas que se sentem invisíveis ou distantes dos espaços de poder.
Sua trajetória pessoal ajuda a explicar essa escolha. Criada em orfanato, Giza relatou ter vivido em situação de rua, sido alfabetizada aos 10 anos e enfrentado, desde a infância, dificuldades de adaptação e relacionamento. O diagnóstico inicialmente foi recebido com impacto, mas depois, segundo ela, tornou-se libertador ao ajudá-la a compreender comportamentos e experiências de toda uma vida.
Na política, sua principal bandeira será a inclusão, orientada pelo princípio “Nada sobre nós sem nós”. Giza defende que pessoas autistas, neurodivergentes e com deficiência participem diretamente da construção das políticas públicas destinadas a elas.
Entre suas prioridades está ampliar o acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento especializado na rede pública. Segundo a candidata, muitas famílias enfrentam longas filas e altos custos para conseguir um laudo e, mesmo após o diagnóstico, encontram dificuldades para obter atendimento adequado.
Na educação, Giza defende uma atuação conjunta, com professores capacitados, equipes multidisciplinares, profissionais de apoio e ambientes preparados para receber estudantes com diferentes necessidades. Para ela, inclusão não significa apenas colocar o aluno dentro da escola, mas garantir condições para sua aprendizagem e convivência.
Outro foco é a vida adulta das pessoas neurodivergentes. Giza critica a falta de políticas de qualificação profissional, emprego e autonomia após a adolescência e pretende aproximar o poder público das empresas para ampliar oportunidades no mercado de trabalho. Também defende apoio às famílias atípicas, partindo do princípio de que “quem cuida também precisa de cuidado”.
Caso eleita, uma de suas primeiras iniciativas será propor ações educativas e materiais de orientação para capacitar servidores públicos no atendimento às pessoas com deficiência e neurodivergentes. Também pretende trabalhar pela ampliação do diagnóstico, acompanhamento e inclusão profissional.
Embora a inclusão seja sua principal bandeira, Giza Tea ressalta que pretende atuar em todas as áreas de interesse do Distrito Federal. Sobre sua relação com o Executivo, afirmou que manterá diálogo e respeito, mas sem abrir mão da independência parlamentar.
Seu objetivo para os próximos quatro anos é ambicioso: transformar Brasília na capital da inclusão. Para Giza TEA, essa mudança começa garantindo voz, respeito, acessibilidade e direitos às pessoas que ainda se sentem invisíveis diante do poder público.
@giza.tea
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Entrevista completa, acessando o link: https://gpsbrasilia.com.br/giza-tea-autismo-bandeira-politica-olhar-df/
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