A reação do poder público de Mangaratiba à recente indignação popular revelou uma importante constatação: sob pressão social, a administração municipal demonstra ser capaz de cumprir sua missão institucional e produzir benfeitorias concretas para a população que a elegeu.
A liberação da praia de Ibicuí da abusiva ocupação territorial, que, em uma espécie de concessão misericordiosa, deixava pequenos espaços para o lazer dos banhistas, é prova inequívoca de que, quando instado, é possível que o poder público aja.
Entretanto, esse avanço pontual não pode obscurecer a desordem instalada. O abandono de Ibicuí não se restringe à faixa de areia. A qualidade singular que a natureza ofereceu à localidade vem sendo progressivamente degradada pela sistemática omissão da administração municipal. A ausência de controle no acesso ao bairro, por exemplo, transformou o que deveria ser um destino de descanso e convivência em um espaço de tensão permanente para seus moradores.
O desproporcional e desordenado ingresso de veículos é um transtorno para os moradores, gera caos no estacionamento e compromete a mobilidade local. A superpopulação temporária, estimulada pela falta de ordenamento, ocorre sem a mínima estrutura de suporte. O volume de lixo produzido ultrapassa em muito a capacidade do sistema de limpeza urbana. Soma-se a isso a ampliação da demanda por serviços informais, expondo moradores e visitantes a riscos desnecessários. Em síntese, a inexistência de controle no acesso a Ibicuí não produz inclusão nem desenvolvimento: produz desordem, degradação ambiental e prejuízos sociais.
O paradoxo é evidente e perturbador. Aqueles que mais sofrem com as consequências da inépcia são justamente os habitantes de Ibicuí, cidadãos que sustentam o município com seus impostos e que conferiram legitimidade democrática à gestão pública. A falta de reciprocidade no tratamento dado a essa população revela uma lógica perversa: o poder público age apenas quando constrangido, mas se omite quando deveria prevenir e cuidar.
As necessidades de Ibicuí extrapolam ações episódicas motivadas por reclamações. Ibicuí precisa de ordenamento territorial, de controle de acesso, de compromisso com o bem comum e de respeito aos seus moradores.
Por último, mas não menos importante, Ibicuí administrada tem potencial para alavancar retorno político, social e econômico.
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