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MAIORES DANOS NÃO SÃO DA CHUVA

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A recorrência de tragédias ambientais no Brasil deixou de ser apenas um fenômeno da natureza para se tornar, cada vez mais, um retrato da escolha política pelo curto prazo. As chuvas que castigam a Zona da Mata mineira, com dezenas de mortes e milhares de desabrigados, expõem não apenas a força dos eventos climáticos, mas sobretudo a fragilidade, e, em muitos casos, a negligência das decisões administrativas.

É evidente que não se controla o volume de precipitações. Mas se controla, sim, a qualidade da ocupação urbana, o investimento em drenagem, a contenção de encostas, o planejamento hídrico e a execução orçamentária. Quando essas áreas são sistematicamente relegadas a segundo plano, o desastre não é mais natural. O desastre é institucional.

O caso de Ubá é um exemplo. Segundo reportagem da Jovem Pan News, o município recebeu R$ 14 milhões em emendas parlamentares em 2025, recursos significativos para uma cidade de porte médio. No entanto, nenhum centavo foi destinado a obras estruturantes de prevenção, como contenção de encostas ou melhoria da drenagem. A prioridade recaiu sobre instalações na área da saúde que, ironicamente, foram tomadas pela lama. A escolha revela uma lógica rotineira: investir onde há placa, inauguração e visibilidade imediata, ainda que a base física da cidade permaneça vulnerável.

Em Juiz de Fora, a tragédia que ultrapassa 55 mortos e mais de 4 mil desabrigados também carrega marcas da gestão de curto prazo. De acordo com o Estadão, apenas 16% da verba do PAC destinada a obras antichuva foi utilizada. Quando recursos existem e não são aplicados, o problema não é escassez financeira.

O pano de fundo é bastante conhecido: a supremacia da lógica eleitoral sobre a gestão com base técnica. Emendas parlamentares fragmentam o planejamento e reforçam a dependência dos municípios, que passam a adequar suas agendas às conveniências dos padrinhos políticos. A autonomia decisória desaparece e o calendário eleitoral passa a reger a política pública.

Todos sabem que obras de prevenção raramente rendem dividendos políticos. São caras, subterrâneas, invisíveis. Um sistema de drenagem eficiente não aparece na fotografia. Uma encosta estabilizada não gera cerimônia. Mas sua ausência produz funerais, desalojados e relevantes prejuízos.

E o ciclo resultante da preferência pelo curto prazo torna-se perverso: investe-se no que aparece, negligencia-se o que protege. Porém, quando a tragédia ocorre, a cultura administrativa vigente multiplica discursos, decretos de calamidade e pedidos emergenciais de recursos, que, novamente, tendem a ser aplicados sob a pressão do imediatismo.

Ainda que seja óbvio, planejamento urbano, infraestrutura resiliente e execução integral dos recursos destinados à prevenção não são considerados dever básico de gestão, deslocados pela conveniência eleitoral.

Ao evitar entender que os danos mais devastadores não decorrem da chuva em si, mas da vulnerabilidade construída ao longo de anos por decisões orientadas pela visibilidade e não pela responsabilidade, o país continuará contando mortos e prejuízos que poderiam, ao menos em parte significativa, ter sido evitados.

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