Mangaratiba vive um paradoxo. Dono de uma das costas mais belas do Estado do Rio de Janeiro, o município amarga sucessivas quedas no Índice Firjan de Gestão Fiscal – IFGF, recentemente publicado, e se aproxima de um perigoso colapso fiscal.
O Índice Firjan de Gestão Fiscal, que mede o nível de gestão com que os municípios administram suas finanças, revelou que 2024 se encerrou com 36% dos municípios brasileiros em crítica situação fiscal. Esses municípios, que abrigam 46 milhões de brasileiros, não se sustentam e dependem dos repasses federativos para pagarem suas contas.
Entre eles está Mangaratiba em trajetória decadente, tendo em 2022 se classificado em situação difícil com o resultado do IFGF em 0,4980, entrando em situação crítica em 2023, ao alcançar 0,2886, culminando 2024 em extrema dificuldade fiscal com índice igual a 0,0867, desempenho que o coloca em último lugar no ranking dos municípios da região Sul Fluminense.
A cidade de privilegiada localização, que tem a possibilidade de transformar belezas naturais (seu maior ativo econômico) em vetor de desenvolvimento, sobrevive de um turismo sazonal, concentrado e sem encadeamento produtivo consistente. Sua extensa faixa litorânea pouco gera em termos de atividades estruturadas ligadas ao mar, como pesca industrial, náutica ou economia criativa.
Mais grave: mesmo vizinha a Itaguaí, que abriga um dos portos mais estratégicos do país, Mangaratiba não consegue impulsionar a integração, desperdiçando a chance de ampliar o nível de atividades complementares capazes de formar um cluster logístico e empresarial.
A crítica situação fiscal, que não é obra do acaso, vem tornando Mangaratiba um município dependente de repasses, com baixa arrecadação própria e exagerados gastos públicos. A demonstrada fragilidade fiscal soma-se à ausência de projeto de município, condenando Mangaratiba a um papel periférico em uma região que cresce ao seu redor.
Sair desse ciclo exige planejamento de médio e longo prazos, reorganização das contas, qualificação do turismo, exploração da economia azul (atividades ligadas ao mar), integração ao polo de Itaguaí e investimentos em educação e qualificação de mão de obra, sob pena de se eternizar como um cartão-postal bonito sobre uma base fiscal falida.
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