A recente postura do poder público de Mangaratiba sinaliza, com clareza, uma mudança de paradigma na forma de governar e de compreender o papel do Estado frente à população que vive, trabalha e sustenta o município. Medidas que, em outros tempos, poderiam ser vistas como impopulares ou restritivas, hoje se revelam instrumentos de civilização, equilíbrio e respeito coletivo.
O recente enfrentamento ao abuso na ocupação da praia de Ibicuí foi um marco simbólico e prático. A praia deixou de ser território do descontrole, da privatização ilegal e da degradação do convívio para se tornar um espaço verdadeiramente público, onde lazer, tranquilidade e dignidade passaram a coexistir.
O controle de acesso à Ibicuí, tão esperado pela população, que começa a se desenhar e espera-se não se limite ao período do Carnaval, não se trata de cerceamento, mas de ordenamento, condição indispensável para preservar a qualidade de vida da população local e a sustentabilidade ambiental da região.
Adicionalmente, a decisão de interditar quiosques e atividades comerciais que extrapolam limites sonoros durante a madrugada, recentemente aplicada na orla de Mangaratiba, mas que urge ser também aplicada em Ibicuí, aprofunda essa nova mentalidade administrativa. Não se combate o comércio, o turismo ou o entretenimento; mas se combate o abuso, o desrespeito e a lógica de que o lucro imediato pode se sobrepor ao direito básico ao descanso, à saúde e à tranquilidade de quem acorda cedo para trabalhar e manter a cidade funcionando.
Essas ações revelam algo mais profundo do que simples fiscalização: demonstram a reconstrução do conceito de espaço público como lugar de convivência civilizada, e não de conflito permanente entre interesses privados e direitos coletivos. Em Ibicuí, e, por extensão, em Mangaratiba, ressurge a esperança de que o poder público compreendeu, enfim, que governar é proteger o cidadão comum, aquele que produz, paga impostos e sustenta o município, garantindo-lhe dignidade não apenas durante o dia, mas também no direito elementar ao silêncio, ao repouso e à paz.
Trata-se, portanto, de um avanço institucional que merece reconhecimento: Mangaratiba começa a demonstrar que desenvolvimento não se sustenta com barulho, desordem, lucro fácil ou permissividade, mas sim com organização, planejamento, respeito e civilidade, fundamentos indispensáveis para qualquer projeto sério de prosperidade e qualidade de vida.
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