A cidade amanheceu com a mesma apatia de sempre. Os prédios cinzentos se erguiam como sentinelas de uma ordem silenciosa, onde a futilidade e a hipocrisia dançavam em um balé macabro.
Nos cafés, rostos mascarados se escondiam atrás de xícaras de café, enquanto as conversas sussurradas ecoavam como ecos de um mundo perdido.
A democracia, essa miragem que nos vendem como a panaceia para todos os males, se revela a cada dia mais como uma farsa. Os palácios do poder, outrora símbolos de esperança, se transformaram em covis de lobos, onde a ganância e a corrupção ditam as regras do jogo. Os discursos inflamados, as promessas vazias, tudo não passa de uma cortina de fumaça para esconder a verdadeira face do poder.
A justiça, essa deusa cega que outrora nos encantava com sua balança equilibrada, agora se vende como uma mercadoria rara, reservada apenas para aqueles que podem pagar por ela. Os tribunais, outrora templos da lei, se transformaram em balcões de negócios, onde a verdade é negociada a peso de ouro.
E nós, os cidadãos, os peões nesse tabuleiro de xadrez, nos contentamos em usar máscaras para esconder nossos verdadeiros rostos. A hipocrisia se tornou a moeda corrente da sociedade, onde todos fingem ser o que não são, onde todos se escondem atrás de sorrisos falsos e palavras vazias.
Caminhamos pelas ruas da cidade, como sombras em um labirinto, perdidos em nossos próprios labirintos internos. A busca pela verdade, pela justiça, pela liberdade, se tornou uma quimera, um sonho distante que nos escapa pelos dedos.
Mas, em meio a essa escuridão, ainda há uma chama que teima em não se apagar. A chama da esperança, da resistência, da indignação. Ainda há aqueles que ousam erguer a voz contra a injustiça, que se recusam a usar máscaras, que lutam por um mundo mais justo e humano.
E talvez, um dia, as máscaras caiam, as miragens se dissipem, e a verdade, finalmente, venha à tona.
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