As recentes mortes causadas por consumo de bebidas adulteradas com metanol acenderam um alerta para muito além do campo da saúde pública. Os trágicos episódios evidenciam um grave problema estrutural no país: a expansão do mercado ilegal de produtos, que não apenas coloca vidas em risco, mas também representa um gigantesco entrave econômico.
Segundo dados de 2024, elaborados pela Associação de Combate à Falsificação – ABCF, as atividades ilícitas envolvendo contrabando, descaminho, pirataria e falsificação geraram prejuízos de R$ 471 bilhões para a economia nacional. O número é expressivo e supera o orçamento anual de diversos ministérios essenciais, como Saúde ou Educação.
O caso das bebidas adulteradas é apenas a ponta do iceberg de um sistema que movimenta mercadorias sem qualidade, sem segurança e sem qualquer tipo de controle sanitário ou fiscal. Da falsificação de medicamentos à venda de cigarros ilegais, passando por eletrônicos e vestuário, o mercado paralelo cresce alimentado pela fragilidade da fiscalização, pela alta carga tributária sobre produtos formais e pelo poder das organizações criminosas.
No setor de bebidas, os impactos vão muito além da concorrência desleal. Estima-se que 30% das bebidas alcoólicas consumidas no Brasil têm origem ilícita, afetando não apenas a arrecadação de impostos, mas também a credibilidade de empresas sérias, geradoras de empregos e renda.
As mortes por metanol escancaram o efeito mais perverso desse comércio criminoso: a perda de vidas humanas.
Especialistas defendem que o enfrentamento ao mercado ilegal exige um conjunto de medidas articuladas. Entre elas, o reforço da fiscalização nas fronteiras, maior integração entre órgãos de segurança, campanhas de conscientização ao consumidor e, sobretudo, políticas que reduzam a atratividade da ilegalidade, seja pela simplificação tributária ou pela ampliação da competitividade dos produtos formais.
Enquanto isso não ocorre, o país segue acumulando prejuízos bilionários e vítimas fatais de uma prática que corrói a economia, destrói cadeias produtivas legítimas e ameaça diretamente a saúde da população.
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