MIGRAÇÃO INTERNA BRASILEIRA IMPACTA A REGIÃO FLUMINENSE
A busca por melhores condições econômicas tem se consolidado como o principal motor da migração interna no Brasil, especialmente entre os jovens que vislumbram nas regiões mais dinâmicas oportunidades de capacitação, emprego e progresso. A movimentação populacional observada nos últimos anos reflete, sobretudo, a concentração do desenvolvimento econômico e do mercado de trabalho em polos produtivos emergentes.
Levantamento recente do IBGE confirma essa tendência: a região Centro-Oeste é a que mais abriga pessoas nascidas em outras partes do país, enquanto o Nordeste apresenta o menor número de residentes vindos de fora. Ao mesmo tempo, o nordestino é o que mais migra, revelando um desequilíbrio persistente na distribuição das oportunidades de renda e qualificação.
Entre os estados, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná lideram, nesta ordem, o saldo migratório positivo (diferença entre os que chegam e os que saem), demonstrando suascapacidades de atrair tanto mão de obra quanto profissionais qualificados. Em contraste, o estado do Rio de Janeiro lidera o saldo migratório negativo, reflexo de desequilíbrios econômicos, fiscais e de segurança que minguam sua atratividade.
A análise do IBGE não surpreende ao evidenciar que o Centro-Oeste e o Sul se tornaram as grandes regiões receptoras, enquanto o Nordeste permanece como o principal ponto de partida. Esse movimento simboliza a busca pela ascensão individual, robusto desafio em um país de profundas desigualdades regionais.
Não há como desconhecer o inegável protagonismo do agronegócio nesse processo. Com sua forte expansão, especialmente em estados como Goiás e Mato Grosso, o setor tem sido vetor decisivo na “seleção migratória”, atraindo cérebros e força de trabalho qualificada para atividades que exigem cada vez mais conhecimento técnico e gestão eficiente.
A surpresa no movimento migratório brasileiro fica por conta do estado do Rio de Janeiro que, economicamente sustentado pelo dinâmico e poderoso setor de petróleo e gás, e tendo abrigadoem passado não muito distante a capital da República, tem se mostrado incapaz de reter os jovens fluminenses por limitadas oportunidades e excesso de insegurança.
Com seu capital humano e sua infraestrutura, o estado do Rio de Janeiro tem, em tese, condições de transformar o êxodo juvenil em um movimento de retorno, desde que promova políticas capazes de elevar o nível educacional, de gerar capacitação para a produção, de criar oportunidades de investimento e de garantir segurança dentro de suas fronteiras.
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