Na realidade, a expansão da globalização no século XXI eliminou fronteiras na redução dos custos produtivos, impulsionou produtividades, porém criou efeitos colaterais estimulantes do protecionismo, permitindo distorções indesejáveis. Os EUA, por exemplo, dominavam o comércio global no ano 2000, com cerca de US$ 2 trilhões.
PARTICIPAÇÃO DOS EUA E DA CHINA NO COMÉRCIO GLOBAL
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Um quarto de século depois, os EUA multiplicaram por 2,6 sua participação no comércio global, atingindo US$ 5,3 trilhões, enquanto a China, no mesmo período, assumiu a liderança ao multiplicar sua participação no comércio global por 15 e atingir US$ 6,2 trilhões, em 2024. Quadro impactado por diversos fatores, entre os quais se sobressai uma desmedida imposição de tarifas de importação, em proteção às produções locais.
Tendo como alvo o mencionado desequilíbrio tarifário, as medidas impostas pelos EUA formatam uma nova ordem comercial, calibrando os impostos de acordo com a assimetria existente com cada país, ao mesmo tempo em que exercita a debilidade da Organização Mundial do Comércio – OMC e revitaliza o bilateralismo.
As exportações brasileiras nesse primeiro quarto de século revelam com clareza a estreita relação do comércio exterior brasileiro com o reposicionamento geopolítico nacional. Ainda que, nesse período, os EUA e União Europeia tenham triplicado suas demandas, a China multiplicou por 85 sua demanda por produtos brasileiros.
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS PARA PAÍSES E BLOCOS ECONÔMICOS SELECIONADOS
2000 A 2024
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Os EUA, por sua vez, mesmo triplicando suas demandas foram superados pela União Europeia, consequência de um progressivo distanciamento político.
Em que pese as exportações brasileiras para os EUA tenham se desacelerado, não surpreende o fato de a maior tarifa ter sido destinada ao Brasil, especialmente pela explícita divergência do governo brasileiro (apoio público à candidata derrotada nas eleições passadas para Presidência da Repúblicados EUA, insistência em desdolarizar o comércio global e aproximação política/ideológica com governos reconhecidamente autoritários, entre outras).
A estratégia adotada pelo Brasil escalou a dimensão política (com limitados objetivos domésticos) e alavancou a tarifa para 50% (a maior tarifa imposta pelos EUA), culminando com o fechamento de todos canais de comunicação indispensáveis à negociação. Resultado: não há isenção até agora definida pelo governo dos EUA, que não tenha sido por exclusivo interesse próprio. Consequentemente, restou ao governo brasileiro, como única alternativa para salvar empreendimentos e empregos, desenvolver programa de suporte financeiro (subsídios, reintegra, crédito, compra governamental, créditos tributários, etc.), aos setores alcançados pelas tarifas. Programa, ainda em gestação, porém sob perigosa pressão da descontrolada crise fiscal.
Não há dúvida de que o cenário estabelecido a partir de hoje é grave, com perspectivas de estagnação devastadora pela impossibilidade da imediata substituição do mercado consumidor norte-americano e pela terminante recusa do governo dos EUA em negociar.
Em resumo, há uma ameaça a economia brasileira a requerer soluções, não se identificando eficácia além da emergencial negociação.
Por último, mas não menos importante, o perfil das exportações brasileiras deixa claro a elevada concentração do comércio exterior brasileiro no mercado chinês, o que pode representar considerável risco em uma eventual divergência política/comercial, potencialmente capaz de produzir desastre econômico de magnitude ainda maior do que a atual crise com os EUA.
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