Por Márcio Macarini
Sou fã do Neymar e de alguns jogadores da NBA. Traduzem os seus esportes como a expressão pura da arte.
Faço, assim, uma comparação entre o Futebol e o Basquete. Talvez pudesse ser feita entre diversas modalidades esportivas, no entanto, ambas podem ser jogadas na rua e com um único par de pessoas.
O futebol, ainda mais prático, necessita de quatro pedras a determinar os gols e algo para ser chutado. Precisa de pouco para brincar e desenvolver capacidades e habilidades humanas. Qualquer lugar é lugar para jogar bola. Terrenos ondulados, ruas asfaltadas, quintais, quadras, pastos com todos os seus obstáculos. Daí nascem as artes populares e as expressões da criatividade corporal.
Essas duas modalidades requerem pouco e produzem muito em termos de ampliação de recursos corporais-cognitivos. E são possíveis para todos. Qualquer um pode se arriscar a chutar ou arremessar uma bola. Por isso imagino serem tão populares, por representarem cada um de nós.
É evidente que a cultura pessoal e o envolvimento da rotina diária trazem preferências a outras modalidades e prazeres em praticá-las. Mas tenho a tentação de duvidar se alguém, em condições físicas e cognitivas de fazê-lo, nunca tenha chutado ou arremessado uma bola.
O futebol é algo tão popular quanto a música de raiz de um país. Chutar, arremessar, lançar, pintar e musicar são ações primitivas. Portanto, se faz como uma forma de expressar a natureza humana e o estilo de viver de uma sociedade.
Aqueles que adquirem habilidades jogam, os que não atingiram o nível para ser um jogador, torcem. E o futebol é a modalidade esportiva mais assistida em todo o mundo e é a primeira em audiência em quase todos os países. Especulo que seja pelo simples fato de expressar a nossa capacidade conquistada ou frustrada. Do artista não se cobra os recalques e frustrações pessoais, a ele se aplaude.
Sou fã do Neymar. É o último artistas do futebol que está em atuação.
Diferencio, então, o artista do futebol do atleta futebolista. Desejo que apareçam muitos outros. Mas estão cada vez mais raros.
Neymar é cobrado por não ter Copa do Mundo, mas é evidente o fracasso da geração de atletas e da pobreza artística do futebol brasileiro. Ele está só! E é o único cobrado.
Neymar é criticado por seu lado polêmico e o tentam desvalorizá-lo. Neymar tem magia nos pés como ninguém a tem atualmente. O seu comportamento dentro de campo é discutido pelas tentativas de “ganhar faltas”, um “cai-cai”.
Outros questionam sua vida desregrada fora das linhas. Entretanto, poucas contusões musculares o tiraram de jogo, ainda que as exigências dos seus músculos em suas arrancadas e mudanças de direções não sejam pequenas.
As lesões que o deixaram fora de jogo, basicamente, foram provocadas por marcações agressivas, aquelas que punem e criticam a beleza da arte e seu estilo “provocativo” com a bola diante do adversário. Foram fraturas de longos tratamentos. Quebram-lhe a coluna vertebral, enquanto de costas ao agressor, diante de um simples domínio de bola.
Em suas recuperações ele viveu o que a vida lhe proporcionou e a mídia, por inveja ou por querer a que ele seja exemplo, o criticou. Mas ele é muito mais artista e um pouco menos atleta.
Assim (já adianto que isso não é uma comparação entre jogadores), foi Maradona, foi Garrincha, foi Pelé. Pelé foi o que uniu a arte aos treinamentos, por isso Rei. Futebol corre nas minhas veias! Assisto a todos os jogos que posso. Vi e vejo atletas absurdamente competentes: Lewandowsky, CR7, Lothar Matthaus, Franco Baresi, Gerd Miller, Johan Cruijff, Zico, Rivellino, Franz Beckenbauer, Ademir da Guia… alguns destes com muita arte.
Mas os últimos artistas, os imprevisíveis são: Maradona, Ronaldinho Gaúcho, Fenômeno, Falcão (Rei do Futsal), PH Ganso, Messi e Neymar. Os outros precisam de muito treino para cumprir suas funções. Eles, os artistas, são os que nasceram prontos para nos encantar.
Por isso, sou fã do Último Artista, o Neymar.