A realização da 30ª Conferência das Partes, a COP30, em Belém do Pará, vem reiterando um cenário que se repete há três décadas: a frustração global diante de um fórum que, apesar de seu peso simbólico, entrega cada vez menos resultados concretos. Em 30 anos de história, a Conferência do Clima acumulou promessas, metas e discursos, mas avançou muito pouco. A própria ineficácia do mecanismo já é reconhecida, não apenas por especialistas, mas também por países que perderam o entusiasmo de participar de um evento que se tornou ritualístico.
O exemplo mais emblemático é o impasse permanente na redução progressiva dos combustíveis fósseis. Trata-se de uma agenda que não avança, e dificilmente avançará, porque esbarra em interesses fundamentais das grandes nações produtoras de petróleo e gás. A transição energética não passa de uma declaração de intenções para aqueles que dependem economicamente desses recursos e não estão dispostos a comprometer suas estruturas produtivas ou receitas fiscais.
Com o tempo, a COP deixou de ser um espaço de robusta negociação e se converteu em evento midiático, um enorme palco destinado à criação, ampliação e disputa de fundos financeiros para apoiar países em desenvolvimento. O debate ambiental dá lugar, gradualmente, à agenda de financiamento. Como consequência, o interesse político e diplomático despencou, a participação encolheu e a disputa por recursos passou a ser o eixo central das conferências. Quanto menos resultados, mais intensa a batalha pelos fundos.
A edição brasileira escancara esse declínio. Mesmo com gastos de organização estimados em cerca de R$ 3 bilhões, de um total de 200 países participantes, apenas 35 líderes mundiais comparecem. A ausência dos chefes de Estado das principais economias do planeta dá a exata dimensão da debandada e esvazia qualquer expectativa de avanços significativos. Um verdadeiro fiasco anunciado.
A escolha brasileira de Belém do Pará como sede, sob o argumento de representar a Amazônia, não produziu o efeito desejado. Ao contrário: expôs ao mundo problemas estruturais de organização, logística precária, preços abusivos e manifestações de grupos indígenas, obviamente, interessados em participar dos fundos. Soma-se a isso o cenário social do próprio estado do Pará: quase metade da população em situação de pobreza, cerca de um terço vivendo abaixo da linha de pobreza, renda média baixíssima e um índice de coleta de esgoto que não chega a 10%. O ambiente causou tamanho desconforto que o chanceler alemão, ao retornar ao seu país, declarou que ele e os jornalistas estavam aliviados por deixar Belém, e que ninguém gostaria de permanecer na cidade. Sinceridade não é crime.
Assim, tudo indica que a COP30 tende a repetir a sina de suas antecessoras: produzirá pouca ou nenhuma evolução concreta nas mudanças climáticas, ampliará o foco quase exclusivo na criação de fundos para países em desenvolvimento, o que, é verdade, representa um ganho para esses beneficiários, e evidenciará a incapacidade brasileira em organizar um evento internacional de grande porte. O resultado esperado, portanto, é a consolidação de mais um capítulo frustrante da longa série de conferências que prometem muito, entregam pouco e reforçam a distância entre o forçado discurso climático e a realidade global.