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O BRASIL CELEBRA O DIA DO TRABALHO PROPONDO TRABALHAR MENOS

O Brasil chega a mais um Dia do Trabalho envolto em uma gigantesca contradição. Ao mesmo tempo em que o governo reverencia o valor do trabalho como pilar da dignidade humana e motor do desenvolvimento, empenha-se em promover a redução da jornada, propondo a transição do modelo 6×1 para o 5×2, em mensagem, no mínimo, paradoxal.

Se o trabalho é celebrado como elemento central da geração de riqueza, da inclusão social e, especialmente, da sustentação do Estado, por que a insistência em trata-lo como se fosse um fardo? Por que reduzi-lo? A mais elementar lógica econômica relaciona diretamente a produção, a renda e o emprego com o volume e a qualidade do trabalho. Reduzi-lo, sem equivalentes ganhos de produtividade, comprime a capacidade produtiva e, por consequência, limita o crescimento econômico.

A proposta de redução da jornada, frequentemente embalada por discursos de melhoria da qualidade de vida, ignora que não é a redução do trabalho que gera riqueza, mas o aumento da eficiência econômica que permite trabalhar menos sem produzir menos.

No caso brasileiro, a realidade é que convivemos com baixa produtividade, deficiência na educação e instável ambiente de negócios. Nesse contexto, não há dúvida de que reduzir a jornada de trabalho significa reduzir a geração de riqueza.

Em ciclos eleitorais como o atual, onde imperam as concessões populistas, propostas que sugerem ganhos imediatos ao trabalhador ganham força, ainda que seus efeitos sejam questionáveis. Porém, se a cada eleição a redução da jornada for utilizada como apelo eleitoral, corre-se o risco de esvaziar progressivamente o papel do trabalho na economia, promover desequilíbrio econômico e, consequentemente, comprometer a própria sustentação do Estado, sobretudo de um Estado perdulário.

Na realidade, o verdadeiro desafio não está em trabalhar menos, mas em trabalhar melhor.