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O CARRO DA HISTÓRIA: UMA CURVA INESPERADA NA GEOPOLÍTICA

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O carro da história: Uma curva inesperada na geopolítica

O carro da história, que por décadas parecia seguir uma rota previsível sob a batuta do liberalismo, tomou uma curva brusca. E, como em toda mudança de direção inesperada, o cenário dentro do veículo se alterou drasticamente, revelando novas posições, novos ocupantes e, para alguns, a porta da rua. A metáfora se impõe para tentar dar conta do turbilhão geopolítico que reconfigura o tabuleiro global, onde velhas verdades desmoronam e novas tensões emergem.​

Se antes os liberais ocupavam o banco da frente, ditando a velocidade e o destino com a bússola do livre mercado e da globalização, agora eles parecem ter sido relegados ao banco de trás. Não que tenham desaparecido por completo, mas sua influência hegemônica cede terreno a uma nova força motriz. O discurso da abertura irrestrita, da integração total, dos consensos universais, parece menos ressonante em um mundo que assiste ao ressurgimento de fronteiras, de interesses nacionais e de uma desconfiança crescente em relação a instituições supranacionais.

​No banco da frente, assumindo o volante com uma audácia que muitos julgavam extinta, estão os conservadores. E não se trata de um conservadorismo empoeirado, mas de uma vertente robusta, que abraça o nacionalismo, a soberania e a defesa de valores tradicionais – religiosos, culturais, familiares – com uma intensidade renovada. A pauta não é mais apenas econômica; é identitária, cultural, moral. Eles não apenas contestam a hegemonia econômica liberal, mas também desafiam a narrativa cultural que, por muito tempo, foi associada aos progressistas.

​E a esquerda? Ah, a esquerda. Por décadas, ela foi a voz profética das injustiças sociais, a guardiã das minorias, a força motriz por trás de muitas transformações culturais e econômicas. Mas agora, parece estar sendo expulsa do carro, ou, no mínimo, forçada a descer e assistir à cena do acostamento. O que aconteceu? A percepção de que a esquerda se afastou de suas bases tradicionais, mergulhando em pautas identitárias por vezes excessivamente fragmentadas e desconectadas das preocupações econômicas do trabalhador comum, parece ter custado caro. A ideia de que a “cultura” era seu monopólio inquestionável se desfez como um castelo de areia.​

Não é mais apenas uma questão de impostos, de privatizações ou de regulação. A geopolítica atual é um campo de batalha de narrativas, de valores e de visões de mundo. A “guerra cultural” que antes era um termo de nicho, agora se tornou a principal arena de disputa política em muitas nações. A esquerda, que se viu como a proprietária da vanguarda cultural, agora observa como a direita – ou o conservadorismo, em suas múltiplas facetas – reocupa esses espaços, oferecendo uma alternativa aos anseios de identidade e pertencimento.​

Pensemos na Europa, com a ascensão de partidos de direita e extrema-direita. Pensemos nos Estados Unidos, com a persistência de um populismo conservador. Pensemos na América Latina, onde a onda rosa, em muitos lugares, recuou diante de governos mais alinhados à direita ou a um pragmatismo que desidrata as bandeiras ideológicas.​

As consequências dessa reconfiguração são vastas e ainda imprevisíveis. Assistimos a um redesenho de alianças internacionais, a uma polarização interna em muitos países e a uma profunda crise de representatividade para os partidos mais tradicionais. A globalização, antes inevitável, agora é questionada. As instituições multilaterais, antes pilares da ordem mundial, enfrentam um ceticismo crescente.​

O carro da história segue em frente, mas a paisagem mudou. Aqueles que antes estavam confortavelmente sentados na frente agora observam, pelo retrovisor, a ascensão de novos condutores. E aqueles que foram deixados na beira da estrada precisam se reinventar, encontrar uma nova rota, ou correm o risco de se tornarem apenas uma lembrança distante na poeira da estrada. O que está claro é que o mapa antigo já não serve, e a viagem, que muitos pensavam ser linear, revelou-se um emaranhado de curvas e contracurvas que desafia qualquer previsão fácil.

 

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