O DESAFIO DOS PROGRAMAS SOCIAIS SEM CLIENTELISMO
O Brasil, em 2025, reafirma sua forte vocação assistencialista ao priorizar programas sociais em detrimento das políticas de desenvolvimento econômico. O custo do welfare state nacional estimado em R$ 441 bilhões (quase 4% do PIB) ultrapassa os investimentos federais em infraestrutura e ciência, áreas que efetivamente sustentam o crescimento de longo prazo.
Somente os programas sociais do governo federal alcançarão R$ 295 bilhões, dos quais R$ 158 bilhões, ou 54%, serão destinados ao Bolsa Família, que hoje beneficia quase 50 milhões de brasileiros, correspondendo a 23% da população. Essa concentração de recursos revela um modelo de gestão que privilegia o alívio imediato da pobreza, mas desestimula a produtividade e engessa projetos estruturantes de desenvolvimento.
Quando a assistência social se transforma em instrumento de poder político, o resultado é o clientelismo, prática antidemocrática e injusta que cria “privilegiados” e exclui o coletivo. Não há dúvida de que é dever do Estado amparar os vulneráveis, mas essa missão deve vir acompanhada de contrapartidas que promovam autonomia, cidadania e evite indesejáveis práticas políticas.
Uma das medidas possíveis para mitigar o risco de clientelismo, ainda que polêmica, mas ao mesmo tempo eficiente, seria a suspensão temporária do título eleitoral do beneficiário de qualquer programa social, enquanto durar o recebimento do auxílio. Tal providência, longe de cercear direitos, protegeria a essência democrática, impedindo que o voto seja usado como moeda de troca, reforçando a transição da dependência para a emancipação social e produtiva.
