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O FRACASSO DA SEGURANÇA PÚBLICA

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A distância entre o entendimento da população brasileira e o conceito governamental sobre segurança pública tornou-se uma verdadeira fratura institucional. De um lado, está a população, sujeito principal das políticas de segurança, que vive refém do medo, testemunhando diariamente a expansão territorial e moral do crime. Do outro, autoridades e formuladores de políticas públicas que, influenciados por discursos ideológicos e por uma leitura distorcida de gabinete, tratam criminosos e narcotraficantes como vítimas da sociedade, atribuindo a eles privilégios, benefícios e tratamentos que, em vez de desestimular, acabam estimulando a criminalidade.

Essa leniente abordagem não apenas gera perplexidade como também corrói a confiança da sociedade nas instituições. O que deveria ser uma política de enfrentamento firme e coerente acaba se transformando em um conjunto de ações paliativas que, equivocadamente, priorizam o acolhimento do infrator em detrimento da proteção da vítima. A recusa oficial em reconhecer o óbvio, que narcotraficantes, ao atuarem com controle territorial, armamento pesado, financiamento internacional e práticas de intimidação, configuram sim uma forma de narcoterrorismo, contribui decisivamente para manter essa leniência. Ao negar essa classificação, o poder público impede que o Estado utilize instrumentos mais contundentes e eficazes de combate, preservando, na prática, um ambiente permissivo para o avanço do crime organizado.

Essa dicotomia se reflete, de maneira indiscutível, na escalada da insegurança. Não surpreende que o Brasil figure em posição vexatória no cenário internacional. Entre 193 países analisados, somos o 14º mais afetado pelo crime organizado em 2025, um retrato incômodo de um país que não consegue conter suas facções, milícias e redes ilícitas. No contexto sul-americano, apenas Colômbia, Equador e Paraguai apresentam níveis mais críticos. Esse dado não é apenas estatístico: ele sintetiza o fracasso oficial em garantir o mínimo, o direito de viver sem medo.

As consequências são profundas. O ambiente de insegurança afugenta investimentos, reduz competitividade e desestimula empreendedores. Enquanto isso, jovens, frequentemente expostos à narrativa de vitimização do crime e às “vantagens” oferecidas pelas facções, são seduzidos por um caminho que promete ganhos rápidos, baixa probabilidade de punição e respaldo tácito de setores do próprio Estado. Abandonam carreiras produtivas e migram para a delinquência, impulsionados pela impunidade e pela fragilidade do sistema judicial.

No fim das contas, quem paga essa conta é o cidadão que trabalha, produz e sustenta o país, e que já não suporta conviver com o permanente risco imposto pela negligência, pela morosidade e, muitas vezes, pela condescendência do Judiciário. A sensação de abandono é real. E enquanto persistir essa desconexão entre o que a população espera e o que o governo entrega, a segurança pública continuará sendo o mais evidente fracasso do Estado brasileiro.

 

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A ENCRUZILHADA BRASILEIRA DA SEGURANÇA PÚBLICA

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