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O INCALCULÁVEL VALOR DO VOTO DE 2026

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O encerramento do ano de 2025 alimentava a expectativa de que as eleições gerais de 2026 seriam uma especial oportunidade para o debate sobre segurança pública e desenvolvimento. Imaginava-se uma disputa centrada no combate ao crime organizado que ameaçadoramente se institucionaliza, na reconstrução econômica, no reposicionamento geopolítico do Brasil diante da acelerada formação de uma nova ordem mundial e, ainda que timidamente, na revisão de temas estruturais como o crônico desequilíbrio fiscal, a desenfreada gastança pública, a lenta reindustrialização, a perda do poder de compra do brasileiro e da relevância internacional e o colapso na qualidade do ensino. Eram pautas duras, complexas, mas necessárias para um país que vempatinando na organização de seu futuro.

Bastou, contudo, a virada do calendário para que esse horizonte fosse engolido por uma ameaça muito mais corrosiva: a degradação ética e moral das instituições da República. Em poucas semanas, o debate nacional foi sequestrado por escândalos de proporções sistêmicas. Os desvios de recursos do contribuinte no INSS e no uso das emendas parlamentares, já por si alarmantes, passaram a dividir espaço com o escabroso caso do Banco Master, apontado como a maior fraude bancária da história do país. O que eleva desproporcionalmente os riscos desse cenário é a possibilidade do envolvimento, direto ou indireto, de figuras de proa ligadas aos três poderes, corroendo a já frágil confiança da sociedade na integridade institucional.

Para o brasileiro, trata-se de um filme bastante conhecido. Não é a primeira vez que se acena com a possibilidade de uma recuperação moral das instituições, apenas para vê-la ser desmontada por ações articuladas no interior do próprio sistema de poder. A Operação Lava-Jato permanece como exemplo emblemático de como iniciativas, que despertaram esperança em cada um dos brasileiros, foram meticulosamente desmanteladas, reforçando a sensação de impunidade seletiva e de que a lei raramente alcança os andares superiores da República.

O que diferencia o momento atual, porém, é a percepção de que o país se aproxima rapidamente do fundo do poço da ética republicana. A sucessão de escândalos, a naturalização do desvio e a incapacidade de produzir firmes respostas institucionais sugerem uma crise que já não é apenas econômica ou política, mas civilizatória. E, sem dúvida, é o cidadão brasileiro quem paga o preço dessa degradação moral que esvazia e inviabiliza qualquer projeto de desenvolvimento.

Nesse degenerado contexto, as eleições de 2026 deixam de ser apenas uma escolha entre programas de governo ou visões econômicas. Elas tendem a transferir ao eleitor uma histórica responsabilidade: ade resgatar a credibilidade das instituições e reafirmar o compromisso ético e moral com o bem público. O voto, mais do que nunca, converte-se no último instrumento de contenção de uma corrosão ética que, muito claramente, se aproxima do irreversível.

 

Luiz Bittencourt
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