- PUBLICIDADE -

O PESO DA HERANÇA: A SOMBRA DE STALIN SOBRE KHRUSHCHEV

- PUBLICIDADE -

A história não é uma estrada reta e limpa. É um labirinto de becos escuros, onde o que parece ser a saída é, na verdade, a entrada para um novo dilema. E poucas figuras personificam essa complexidade como Nikita Khrushchev. Um homem que subiu ao palco mundial para condenar o monstro que ele mesmo ajudou a criar.

Não se pode falar da destruição da imagem de Stalin por Khrushchev sem antes falar da cumplicidade. Khrushchev não era um intruso, um observador distante. Ele era um dos de dentro. Um dos que frequentavam a intimidade daquele poder macabro, que participava dos jantares e das reuniões onde o destino de milhões de pessoas era decidido. Ele via, sabia, e participava. A conivência com os abusos, as prisões, os assassinatos – tudo isso era parte de sua realidade. Ele era, em essência, um dos arquitetos do horror que, mais tarde, denunciaria.​

O Discurso Secreto e a Sombra do Passado​O ano era 1956, o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética. A expectativa era de uma rotina burocrática, discursos enfadonhos e a reafirmação do status quo. Mas Khrushchev, em um movimento surpreendente, quebrou o silêncio. Em um discurso secreto que durou horas, ele desmantelou o mito de Stalin. Ele revelou os expurgos, as torturas, a megalomania de um líder que se considerava um deus. Foi um ato de coragem ou um cálculo político?​

É nesse ponto que a história se dobra sobre si mesma. O que motivou a denúncia de Khrushchev? A morte de seu filho Leonid, um bêbado, que acabou matando um Major numa brincadeira macabra. Após se ajoelhar aos pés de Stalin pedindo perdão para seu filho, Nikita recebeu uma resposta fria. Stalin disse que não podia fazer mais nada, pois não era a primeira vez que Leonid, quando bêbado, cometia atos insanos. Leonid foi colocado na linha de frente da Guerra, sendo abatido e morto. O sentimento amargo da vingança adentrou o coração de Nikita. O luto e a sede de vingança seriam a força motriz, uma motivação humana e, de certa forma, até compreensível. Mas a realidade raramente é tão simples.​

A destruição da imagem de Stalin foi, para Khrushchev, uma manobra política genial. Ao expor a loucura de seu antecessor, ele se consolidava como o novo líder, se livrando da sombra de uma figura mítica e, o mais importante, justificando a sua própria ascensão. A denúncia servia como uma purificação, uma forma de lavar as mãos e dizer: “eu estava lá, mas não era igual a ele“.​

O Mito e o Homem​

A grande ironia é que, ao denunciar Stalin, Khrushchev se tornou um herói para muitos, um líder que ousou encarar a verdade. Ele se tornou o “homem que acabou com o culto à personalidade”. Mas o preço foi alto. A denúncia, embora necessária, lançou uma sombra sobre a própria história do Partido Comunista.​

No final, a história de Khrushchev e Stalin é um lembrete de que o poder corrompe, mas a sua manutenção corrompe ainda mais. E que, por vezes, para construir o futuro, é preciso destruir o passado, mesmo que esse passado seja a sua própria história.

 

 "O conteúdo deste artigo reflete apenas a opinião do autor e não necessariamente as opiniões do Portal REVISTA DIÁRIA - seus editores e colaboradores - que não se responsabiliza por qualquer dano ou erro que possa surgir do uso das informações apresentadas neste artigo. Ao acessar e ler este artigo, você concorda em que REVISTA DIÁRIA não se responsabiliza por quaisquer danos diretos, indiretos, acidentais ou consequentes que possam surgir do uso das informações contidas neste artigo. Você concorda que é responsável pelo uso que fizer destas informações e que o blog não tem qualquer responsabilidade por qualquer erro, omissão ou imprecisão."

 

Participe do Grupo de Whatsapp da Revista Diária, recebendo e enviando seus bons artigos e matérias veradeiras. Clique no Link para entrar no grupo: >>>  https://chat.whatsapp.com/GpnWiHrhPaY4Inbc9Cu3eY?mode=ems_copy_t

 

SUGESTÃO DE LEITURA:  O FIO DA NAVALHA  https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/o-fio-da-navalha/

- PUBLICIDADE -

Últimas notícias

Notícias Relacionadas