Por Hélio Mendes
O ambiente organizacional vive uma fase de mudanças profundas, impulsionadas pela nova geopolítica, pelas transformações tecnológicas e pelas exigências crescentes de competitividade. Nesse contexto, todos os setores estão revendo seus modelos de gestão e o cooperativismo, apesar de sua força e relevância histórica, também precisa adaptar-se.
Sou cooperado há mais de trinta anos e, como consultor em planejamento e gestão de cooperativas, reconheço a importância e a competência do modelo atual, que foi decisivo para o desenvolvimento de inúmeras regiões e para a inclusão produtiva de milhares de famílias. No entanto, assim como em qualquer organização, chega o momento de promover atualizações que garantam sustentabilidade, transparência e capacidade de resposta ao novo cenário.
A seguir, apresento pontos de reflexão cujo propósito é exclusivamente contribuir para a evolução contínua do setor.
Governança e processos eleitorais
Em algumas cooperativas, o processo eleitoral acaba privilegiando a manutenção no cargo, e não necessariamente a construção de estratégias de longo prazo. Isso pode gerar compromissos que pressionam o modelo de negócios e limitar decisões estruturantes. Para além da representatividade, é fundamental que os eleitos disponham de tempo, preparo técnico e visão sistêmica compatíveis com as responsabilidades que assumem.
Conselho de Administração: presença ativa e técnica
A tradição de compor Conselhos majoritariamente por produtores é um valor do cooperativismo, porém as demandas da governança moderna exigem dedicação, atualização e forte capacidade analítica. Quando o conselheiro não consegue acompanhar o ritmo e a complexidade da agenda, é comum delegar ao executivo responsabilidades que deveriam ser compartilhadas. Governança não se delega: ela se exerce.
Sustentabilidade econômica e eficiência operacional
Algumas cooperativas, especialmente as ligadas ao leite, ainda recorrem a soluções imediatistas, como reduzir o preço pago ao produtor quando as despesas superam as receitas. Sem ações estruturantes de eficiência, essa prática compromete a competitividade e afeta diretamente os cooperados. Outro ponto sensível é manter operações com produtores de baixo volume e longas distâncias, o que aumenta custos e reduz margens. A cooperativa é uma organização econômica e precisa de critérios claros para equilibrar resultados.
Avaliação de desempenho
Ainda é limitada, em muitas cooperativas, a prática de avaliação formal do Conselho, da diretoria e das lideranças internas. Sem métricas, diagnóstico e ritos de revisão, perde-se a oportunidade de corrigir rumos, desenvolver lideranças e fortalecer a governança.
Modernização sem perder a essência
As cooperativas são protagonistas no desenvolvimento regional, especialmente em municípios menores. Foram construídas por pessoas comprometidas, idealistas e visionárias. Atualizar processos não significa romper com essa história ao contrário, preserva-a. Profissionalizar a gestão, adotar boas práticas de governança e buscar eficiência são condições essenciais para garantir que o cooperativismo avance mais forte para as próximas décadas.
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Hélio Mendes – Palestrante, consultor empresarial e político. Autor dos livros Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Conselheiro certificado pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia/MG.
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CLUSTER: GESTÃO E PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO COMO PILARES DA COMPETITIVIDADE