É público e notório que o mercado dos EUA é amplo e de alto poder aquisitivo.
Objeto de desejo de qualquer empreendimento produtivo, conquistar o exigente mercado dos EUA é um desafio que requer longo prazo, envolvendo qualidade, produtividade e capacidade negociadora. Perder esse mercado é uma tragédia, de difícil recuperação. Substituí-lo não será tarefa fácil, nem rápida.
Esse é o desastroso cenário que perigosamente se aproxima do radar da indústria nacional, com a imposição, a partir de 1º de agosto próximo pelo governo dos EUA, de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros.
A estratégia do governo brasileiro tem sido debater com o setor privado brasileiro argumentos de convencimento ao governo dos EUA e, por encontrar dificuldades em acessar o governo dos EUA, estimular o empresariado nacional a se articular com a contraparte norte-americana para pressionar o recuo do governo dos EUA.
Reconheçamos que a estratégia de transferir para o setor privado norte-americano a responsabilidade de negociar com o governo dos EUA não foi sua escolha, mas é o que restou ao governo brasileiro. Ao mesmo tempo, surpreende e assusta o empresariado nacional a total ausência de negociações entre os dois governos, há 10 dias da vigência de tarifas com poder de desestruturar a economia brasileira. Somente o mercado a ser perdido pelo agronegócio brasileiro representa US$ 6 bilhões ou 48% das exportações nacionais do agro.
Enquanto isso, houve um acordo de redução de tarifas para 19% entre EUA e Philipinas, outros países negociam ajustes nas tarifas com os EUA e a Casa Branca informou que, em breve, haverá um encontro entre os presidentes dos EUA e da China para negociar acordo bilateral. Há intensa movimentação nas negociações com o governo norte-americano.
O cenário é de extrema gravidade para a nossa economia, incompatível com o ritmo até agora utilizado pelo governo brasileiro.
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