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PISA 2025 – UM RETRATO DO ENSINO BRASILEIRO

Em meio ao caos institucional em que transformaram o país, às rotineiras investigações sobre inaceitáveis atos de corrupção, às disputas entre os Poderes, aos escândalos que se sucedem e as naturais bravatas que fazem parte do cotidiano eleitoral, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico — OCDE — divulgou o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o PISA 2025.

O Programa avaliou 91 países e o retrato brasileiro não é bom. Em Matemática, o Brasil ficou na 71ª posição, em Ciências, o país ficou na 67ª posição e em Leitura ficou na 52ª posição.

Mas os números absolutos são ainda mais reveladores do que o ranking.

Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram o patamar mínimo, nível 2, de proficiência em Matemática, significando que sete, em cada dez jovens, não são capazes de representar matematicamente uma situação simples. Em Ciências, apenas 48% chegaram ao nível mínimo. Em Leitura, aproximadamente 49%.

O desequilíbrio regional agrava a performance nacional. Os melhores desempenhos estaduais concentram-se no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal aparecem consistentemente entre os cinco primeiros colocados nas áreas avaliadas. Na outra ponta, predominam os estados das regiões Norte e Nordeste.

E o desempenho do Estado do Rio de Janeiro merece também uma atenção. O antigo Distrito Federal, ex-capital da República, tradicionalmente reconhecido pelas belezas naturais, pelos carnavais e pela crescente insegurança pública, aparece com o pior desempenho estadual dentro do conjunto formado pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Resultado que guarda semelhança com o IDEB 2025, revelando consistência na baixa performance educacional do estado fluminense.

Chama também a atenção, o fato de os Estados do Ceará e Piauí, destaques no IDEB 2025, terem se colocado na parte inferior do ranking PISA 2025. Discrepância significativa que pode ser esclarecedora.

É impossível considerar todo esse conjunto de resultados como normal. O baixo padrão de educação chega ao mercado de trabalho e produz estragos na produtividade, na capacidade de criar e absorver tecnologia, na competitividade das empresas, dificultando a formação de engenheiros, médicos, pesquisadores, gestores, profissionais.

De todo modo, o PISA só colocou números no diagnóstico. Independente do modelo de avaliação, fica evidente o baixo padrão nacional da gestão escolar, a carência de uma rigorosa avaliação de desempenho e a necessidade de o país entender que o aluno é o principal ator do sistema de ensino.

Hora de abandonar as desculpas e mudar o modelo.

 

 


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